Testes vocacionais funcionam?

Muitos esperam dessa ferramenta uma solução mágica

Por FRANCISCO ALVES FILHO

Teste vocacional é um caminho válido para escolher a profissão?
Teste vocacional é um caminho válido para escolher a profissão? -

Em meio às dúvidas no processo de escolha da profissão, muitos jovens pensam em conseguir ajuda fazendo testes vocacionais. Não são poucos os que esperam dessas ferramentas uma solução rápida para acabar com a indecisão. Há, inclusive, aqueles que sequer procuram um psicólogo para fazer esse tipo de teste e recorrem a qualquer anúncio de solução mágica na internet. É preciso cuidado.

Para começar, é necessário que os jovens saibam que essa dúvida no momento da escolha não é algo fora do comum (Veja aqui: Indecisão na escolha da carreira é normal) Os estudantes que desde muito cedo escolhem uma carreira e vão até o vestibular nesse mesmo caminho são uma minoria. Para grande parte dos vestibulandos, esse momento de decisão é um período difícil, com cada vez mais profissões a levar em consideração, cada vez mais possibilidades a considerar, um futuro cada vez mais difícil de decifrar pela frente. 

Imaginar que apenas um teste vai resolver essa questão é uma simplificação perigosa. "Estes testes estão desatualizados. Dão alternativas muito abertas para o estudante e não levam em consideração as novas profissões", diz a psicóloga paulista Adriana Severine. "particularmente, não sou muito a favor dessa ferramenta, porque fecha as possibilidades de escolha".

O que a psicóloga sugere é que o candidato ao vestibular faça um esforço de autoconhecimento e pergunte a si mesmo quais são os seus principais interesses, quais são os assuntos que não o agradam. Outro exercício é imaginar que tipo de padrão de vida gostaria de ter nos próximos anos, para, a partir daí, poder prever qual a remuneração que vai buscar. Um psicólogo que trata de Orientação Vocacional poderá ajudar muito nesse processo. 

Em último caso, se o jovem quiser mesmo fazer um teste vocacional, o melhor é que ele esteja integrado em um trabalho psicológico mais amplo.

O principal nesse processo é entender que o estudante não deve delegar a ninguém a escolha final sobre a carreira, uma das decisões mais importantes que tomará na vida. Com teste ou sem teste, caberá sempre ao candidato dar a última palavra. Ainda bem.