O cara do vôlei do Fogão

Líder do time que voltou à elite do vôlei brasileiro, Lorena diz que Alvinegro abriu as portas para ele num momento delicado da carreira

Por ANA CARLA GOMES

Aos 40 anos, Lorena é o líder do Botafogo
Aos 40 anos, Lorena é o líder do Botafogo -

A resposta sobre os planos para a próxima temporada na Superliga vem de forma direta, sem rodeios: "Vou ficar no Botafogo com certeza. Não saio por nada". Aos 40 anos, com passagens por vários clubes do Brasil e do exterior, o experiente oposto Lorena conta estar totalmente identificado com o Alvinegro, após ser o líder da volta da equipe carioca à elite do vôlei brasileiro. O retorno ainda foi coroado com o título da Superliga B, com direito a um discurso emocionado do veterano jogador após a final contra o Blumenau, em General Severiano.

"Joguei nos Montes Claros a temporada anterior na Superliga A e tivemos muitos problemas. Não nos classificamos nem para os playoffs, passamos dificuldades. Mas tem gente que fala que você está velho e, às vezes, há vários motivos para não estar naquela condição boa. O Botafogo me abriu as portas. Estava num momento muito delicado da minha carreira e eu ia parar de jogar vôlei se não tivesse uma proposta e o Botafogo me deu essa oportunidade maravilhosa na minha vida", conta Lorena.

Definindo-se como um jogador raçudo, o oposto conta por que se identificou tanto com o torcedor alvinegro: "Sou apaixonado pela torcida de futebol. Gosto muito de torcida, a favor ou contra. O Botafogo é um time grande de camisa, tem história e me identifiquei muito com a torcida. Eu não durmo pensando como vou vibrar e como vou fazer em quadra. É tudo automático. Sou um cara completamente tranquilo. Mas, no treino ou quando vou jogar, eu me transformo, não sei o que acontece. Sou raçudo, nunca tive medo de ninguém. Se vou jogar contra o melhor time do Brasil, vou deixar o meu máximo".

No elenco alvinegro que encarou a missão de voltar à elite, Lorena assumiu a função de líder da equipe: "Foi fantástico. Não fui um pai que mima o filho. No fim, agradeci a todos e pedi desculpa porque teve treino em que fui muito severo".

Quando o assunto é o futuro nas quadras, Lorena não faz planos: "Quero jogar vôlei enquanto eu puder treinar todos os dias de igual para igual com qualquer outro jogador, enquanto estiver bem física e mentalmente. Quando eu não puder jogar mais intensamente eu paro no outro dia. Não vou enganar ninguém. Sou um cara trabalhador, amo o que faço".

No dia em que a aposentadoria chegar, Lorena não pretende abandonar o esporte: "Amo muito o vôlei. É uma pena um jogador do meu gabarito, com tudo o que eu já aprendi, sair fora desse esporte. Lógico que a gente começa a planejar, mas não sabemos o que vai acontecer. Se eu puder, quero estar no meio. Gosto desse lado de montar a equipe, gerenciar o clube, conversar com o patrocinador, montar projeto social. Adoro isso".

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