Witzel reafirma que socorro da União não é suficiente para o Rio

Salários de servidores públicos só estão garantidos até setembro; depois, governo fluminense já encontrará dificuldades para pagamento em dia

Por PALOMA SAVEDRA

Governador Wilson Witzel em videoconferência de governadores com o presidente Jair Bolsonaro
Governador Wilson Witzel em videoconferência de governadores com o presidente Jair Bolsonaro -
Em reunião virtual com governadores, na manhã desta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que sancionará, possivelmente ainda hoje, o projeto de socorro financeiro a estados e municípios, com desembolso total de R$ 60 bilhões pela União. A fatia a ser destinada ao Estado do Rio corresponde a cerca de R$ 2 bilhões, um valor que ajudará a recompor perdas de receitas, mas não a fechar o buraco nas contas
Como o secretário de Fazenda, Luiz Cláudio Carvalho, já admitiu, dessa forma, o Rio já encontrará problemas para o pagamento da folha salarial a partir de setembro. 
Ao fim da videoconferência, o governador Wilson Witzel reafirmou esse posicionamento do governo fluminense. "A sanção do projeto é fundamental, entretanto, em relação especificamente ao Rio de Janeiro, os recursos são insuficientes", afirmou.
Em abril e maio, o estado perdeu R$ 1,3 bilhão em receita tributária nos meses de abril e maio (em relação ao mesmo período de 2019). O governador disse que, apesar disso, o Rio deverá receber, na primeira parcela (dos R$ 2 bilhões) pouco mais do que R$ 550 milhões.
Durante a videoconferência, Witzel pediu, por chat, uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro para discutir a situação financeira específica do Rio.
Congelamento salarial

Na reunião, Bolsonaro disse que vetaria o artigo do PLP 39/2020 que prevê reajuste salarial de servidores de todos os entes. O objetivo é que o congelamento salarial seja até o fim de 2021. O presidente pediu que os governadores articulem com suas bancadas a manutenção desse veto. 
O governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), foi um dos três representantes dos chefes dos governos estaduais a falar. E declarou publicamente o apoio ao congelamento de salários. Azambuja disse que a maioria era favorável, até porque não haveria condição financeira para aumentar salários diante da crise provocada pelo novo coronavírus.
Após o encontro virtual, Witzel demonstrou apoio à medida: "Este é um momento difícil e, infelizmente, todos nós temos que dar a nossa cota de sacrifício".

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