Menos água na produção de jeans

Inédito na moda nacional, projeto busca estratégias para compensar consumo de recursos hídricos

Por *Luana Dandara

A C&A se comprometeu a ter 67% das matérias-primas advindas de fontes mais sustentáveis
A C&A se comprometeu a ter 67% das matérias-primas advindas de fontes mais sustentáveis -

Rio - Uma das maiores e mais lucrativas, a indústria da moda é a segunda mais poluente no mundo, depois do setor de petróleo, de acordo com o Instituto Francês da Moda. Os danos chegam a cerca de 10% das emissões globais de dióxido de carbono, 25% da produção global de pesticidas, além de ser a terceira indústria que mais consome água. Na tentativa de frear esses males, um projeto pioneiro no Brasil vai analisar os impactos da produção do jeans para criar soluções sustentáveis.

A Vicunha Têxtil, maior produtora mundial de índigos e brins, começa neste mês o projeto inédito na indústria de moda nacional, o 'Pegada Hídrica', em parceria com o Movimento Ecoera. "O projeto calculará o volume de água gasto em toda a cadeia de produção do jeans, desde o plantio do algodão até o final do processo, durante a lavagem na casa do consumidor", explicou Chiara Gadaleta, fundadora do Ecoera. O trabalho identificará a situação da empresa, indicando maneiras de redução e formas de compensação por meio de projetos socioambientais como recuperação do solo, conservação dos recursos hídricos, estoque de carbono e criação de corredores para a biodiversidade.

Segundo Chiara, é a primeira vez que esse impacto será analisado no Brasil. "Trabalhávamos em cima de estudos de outros locais. É essencial ter informação precisa e alinhada com a nossa realidade. Se a gente não sabe qual o impacto negativo, como vamos estabelecer estratégias?", questionou a especialista, revelando que a demanda do consumidor preocupado com a sustentabilidade impulsionou essa atitude nas empresas.

"A indústria percebeu que precisa se conectar ao planeta. E em meio a uma crise hídrica e o desmatamento, usar a moda como canal para chamar atenção dessas questões é muito importante".

Nos últimos anos, várias empresas de moda estão investindo em ações sustentáveis. A C&A, maior rede de departamento do Brasil, se comprometeu até 2020, a ter 67% de todas as suas matérias-primas advindas de fontes mais sustentáveis. Em 2017, a companhia reduziu sua pegada de carbono em 15%, e sua pegada de água em 14%.

Cálculo será em três níveis

O cálculo da pegada hídrica será dividido em três indicadores: azul, verde e cinza. A pegada azul refere-se ao volume extraído das fontes de água doce, de superfícies ou subterrâneas. A pegada verde representa a água proveniente da chuva ou umidade do solo. Já a cinza diz respeito ao volume de água necessário para diluir os poluentes e devolver a água tratada às redes de esgoto, de acordo com a legislação. A soma dos três indicadores confere a pegada hídrica total do produto. O relatório será entregue em maio de 2019.

"Com esse projeto teremos uma ferramenta específica de gestão contínua", disse o diretor da Vicunha, Marcel Imaizumi. Lucas Pereira, diretor da Iniciativa Verde, acredita que o projeto vai influenciar outras empresas. "A moda, por ser um setor com impacto significativo e de grande influência, pode ser uma porta de entrada para que esse trabalho seja uma prática comum em todos os setores", avaliou Pereira.

*Estagiária sob supervisão de Angélica Fernandes

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A C&A se comprometeu a ter 67% das matérias-primas advindas de fontes mais sustentáveis Divulgação/C&A
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