Ex-PM Douglas Almeida desapareceu em setembro de 2019   - Arquivo Pessoal
Ex-PM Douglas Almeida desapareceu em setembro de 2019 Arquivo Pessoal
Por Charles Rodrigues
Desaparecido há cerca de 1 ano, o ex-policial militar Douglas Almeida Marques, de 35 anos, pode ter sido assassinado e enterrado como indigente. A hipótese, segundo familiares, que explicaria o sumiço do ex-PM, voltou a ser reconsiderada após resultado do laudo de identificação (DNA), divulgado na semana passada, que analisou restos mortais de dois corpos. Um dos testes deu negativo, mas o outro apontou resultado inconclusivo, que, de acordo com os investigadores, necessitaria da exumação do corpo para nova coleta de material. A cargo da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), as investigações sobre o caso estão sendo mantidas sob sigilo.
O ex-PM Douglas desapareceu na tarde do dia 16 de setembro de 2019, após sair da casa, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, com um Volkswagen Up!, que pertencia à então companheira. O veículo foi recuperado, uma semana depois, parcialmente incinerado, no complexo do Chapadão, em Costa Barros, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ao lado do veículo, a polícia encontrou o corpo de um homem, não identificado, que, segundo foi informado à família, não seria do ex-policial.
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“Antes de desaparecer, ele disse, pelo telefone, que iria levar um presente para um ‘padrinho’, que, até hoje, ninguém sabe quem é. Foi a última vez que falei com o meu filho. Ele não retornou mais. O carro em que  estava foi encontrado. Havia um corpo ao lado, mas a polícia informou que não seria o Douglas. A partir daí, iniciamos uma batalha em busca do paradeiro, para obtenção dos exames e informações sobre o caso”, disse a cuidadora de idosos Vânia Braga de Almeida, de 53 anos.
‘Só quero dar um enterro digno para o meu filho’
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Pai de quatro filhos, o ex-policial militar Douglas Almeida teria pedido baixa da corporação, segundo a família, após apresentar transtornos psiquiátricos. Apesar de a esperança de encontrá-lo vivo seja remota, a possibilidade de resgatar o corpo de Douglas é considerada um alento para a família, pois daria um fim ao caso. Contudo, as iminentes dificuldades no processo de exumação são vistas como entraves.
“O desaparecimento é uma dor eterna. Quando sabemos da morte, mesmo passando pelo sofrimento, temos a sensação de um fim. Quando soubemos do resultado, ficamos com uma expectativa inexplicável. Um dos exames teve laudo negativo e o outro revelou ser inconclusivo, o que aumenta a possibilidade de o corpo ser do meu filho. Contudo, nesse caso, diante de tanta dor, teremos ainda que aguardar a decisão da Justiça para liberar a exumação do corpo. Gente, é muito sofrimento. Estamos, há mais de 1 ano, em busca de respostas para o sumiço do Douglas. É duro saber que ele pode ter sido morto e enterrado como indigente. Só quero dar um enterro digno para o meu filho”, desabafou, emocionada, a mãe do ex-PM.
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Ministério Público e Defensoria prestarão assistência jurídica a familiares de desaparecidos
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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) assinou um termo de cooperação com a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro que prevê a prestação de assistência jurídica aos familiares atendidos no Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos do MPRJ (PLID/MPRJ).
A ação conjunta prevê auxílio mútuo entre as partes, no âmbito da localização e identificação de pessoas desaparecidas, com o objetivo de prestar assistência jurídica a familiares atendidos pelo Programa. O acordo estabelece como obrigação comum cooperar para a erradicação dos casos de desaparecimento causados pela omissão estatal, em especial nos casos em que o Estado tem posse de informações sobre a pessoa desaparecida e não é diligente ao comunicar aos familiares sua localização.
De acordo com a coordenadora do PLID/MPRJ, promotora de Justiça Eliane de Lima Pereira, a assinatura de termo de cooperação fortalece a causa do desaparecimento e reforça a importância do PLID. “O Programa exerce um papel muito importante na vida de quem tem um ente querido desaparecido e ambas as instituições têm muito a oferecer com esse esforço mútuo de colaboração. E quem ganha mais com essa parceria é o cidadão, já que uniremos a atuação da Defensoria, no que tange aos direitos individuais, com o viés de atuação no âmbito coletivo, próprio do MPRJ”, destacou.
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Gestor técnico do PLID/MPRJ, André Luiz Cruz ressalta que não existe no Brasil um programa de assistência jurídica para familiares de pessoas desaparecidas como o que está sendo estabelecido com o acordo de cooperação. “Os casos serão direcionados pelo PLID/MPRJ diretamente para a NUDEDH e o atendimento a estas pessoas será mais qualificado. Haverá uma atuação conjunta nos casos de desaparecidos por falhas do poder público, em especial no âmbito indenizatório, uma vez que temos diversos casos de familiares que procuram seus entes quando, na verdade, eles estão no sistema prisional ou já vieram a óbito, pois não houve comunicação”, afirma. (Fonte: MPRJ)

Contatos do Plid (MPRJ): (21) 2220-5810 | (21) 2262-1049