'É Massa' apresenta produções cinematográficas de Pernambuco

Curtas e longa-metragens ficarão em cartaz até o dia 1º de setembro

Por tabata.uchoa

Rio - Em festivais nacionais ou internacionais, tem sempre um holofote voltado para um filme pernambucano — é o que atesta o curador Breno Lira Gomes. Apesar de mineiro, ele não nega suas raízes pernambucanas, herdadas pela família materna, e faz uma homenagem a elas em ‘É Massa — 1ª Mostra do Cinema de Pernambuco’. A partir de hoje, produções do terceiro maior polo cinematográfico do país serão exibidas na Caixa Cultural. São curtas e longa-metragens feitos desde os anos 20 até agora, em cartaz até 1º de setembro.

Irandhir Santos em cena de ‘A Febre do Rato’%2C de Claudio Assis%2C um dos cineastas mais respeitados de PEDivulgação

“Os filmes do circuito de arte são prejudicados pela falta de espaço das salas nacionais”, diz Breno, justificando o motivo pelo qual histórias tão premiadas em festivais não tenham vida longa no circuito comercial. “É importante que o grande público tenha acesso a esse tipo de cinema”, reforça. Se depender dele e de Valéria Luna, que assina a curadoria da mostra ao seu lado, o público sairá da Caixa Cultural expert em cinematografia pernambucana. Dividida em três módulos, ‘É Massa’ passeia pelo Ciclo de Recife (1920-1030), o Movimento Super 8 (década de 70) e a Retomada, iniciada em 1996, com ‘Baile Perfumado’, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira.

A programação vai de filmes mudos e pouco conhecidos como ‘A Filha do Advogado’, de 1926, dirigido por Jota Soares, a produções atuais, caso de ‘Febre do Rato’, de Claudio Assis, e ‘O Som ao Redor’, de Kleber Mendonça Filho. Com temas em comum em suas obras, esses diretores retratam a violência, o sexo e o resquício do coronelismo na rotina do estado. “Recife, principalmente, é o grande personagem dessa nova geração”, comenta o Breno.

Atrás apenas de Rio e São Paulo, a produção cinematográfica pernambucana se destaca pela ousadia. “Eles não têm medo de propor algo de diferente, não é só mero entretenimento”, elogia o curador, que completa: “É uma luz diferente, atores diferentes... Isso tudo cria uma identidade”.
Não é à toa que, no último fim de semana, o diretor recifense Hilton Lacerda faturou o prêmio de melhor filme para ‘Tatuagem’ no Festival de Gramado. A trama, que tem a ditadura como pano de fundo para um romance entre dois homens, também rendeu o Kikito de melhor ator ao protagonista Irandhir Santos — atualmente, o artista mais disputado de Pernambuco.

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