Anitta grava DVD em espetáculo que atenua a padronização de seu repertório

‘O fantástico mundo de Anitta’ é ópera-pop-funk que combina elementos circenses e góticos

Por tabata.uchoa

Rio - “Estou me sentindo a tal”, admitiu Anitta, várias vezes, no palco da HSBC Arena, diante da milionária produção erguida para gerar o show gravado sábado à noite para dar origem a DVD e CD ao vivo.

Espetáculo de arquitetura teatral, comandada pelo diretor Raoni Carneiro com enredo que resultou confuso, ‘O fantástico mundo de Anitta’ é ópera-pop-funk que combina elementos circenses e góticos. Cerca de 40 bailarinos se movimentaram na cena moldada para dar visibilidade a Anitta na interpretação das 20 músicas do roteiro iniciado com ‘Não para’ e encerrado, em clima apoteótico, com ‘Show das poderosas’, hit incrementado em cena com explosão de confetes e serpentinas.

Anitta grava músicas inéditas como ‘Blá blá blá’ e ‘Na batida’ em show feito anteontem na HSBC Arena para dar origem a DVD e CD ao vivoSaulo Stefano / Agência O Dia

O aparato luxuoso da produção — orçada em torno de R$ 4 milhões — cumpriu a função de atenuar as limitações do padronizado repertório da artista. “Você vai ter que me aturar / Eu vim aqui pra te provocar”, ressaltou Anitta nos versos do inédito eletrofunk ‘Blá bla blá’, mostrando que vai seguir a linha ‘mandona’ das músicas do disco de estúdio lançado em meados do ano passado.

Ao longo dos quatro blocos do roteiro, Anitta vestiu cinco figurinos, rebobinou o repertório do CD de 2013 e deu voz miúda a inéditas como ‘Na batida’, outra música em que a ‘menina má’ do pop funk carioca dá a decisão.

O funk de Anitta, aliás, está cada vez mais pop, ainda que o bloco final do show tenha simulado o ‘pancadão’ dos bailes da pesada. No geral, há poucos matizes nesse repertório domesticado para fisgar o público refratário ao funk da periferia. Para tal plateia, o romântico bloco em que Anitta cantou baladas como ‘Zen’ foi mel na boca.

Como no CD de 2013, ‘Eu sou assim’ ganhou toque árabe (à moda do pop da cantora Shakira) na gravação ao vivo que transcorreu ágil, sem interrupções, repetições e erros. Nesse sentido, Anitta — que gravara o show na véspera, sem público — foi a tal.

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