Flupp volta a sua casa depois de rodar as periferias do Brasil

Evento literário começa hoje, na Maré, e já tem outra edição marcada para novembro

Por daniela.lima

Rio - A Festa Literária Internacional das UPPs (Flupp) já não se limita apenas às periferias cariocas e agora se chama Flupp Brasil. Mas, como diria o ditado, um bom filho à casa torna. Após percorrer Curitiba, Salvador e São Paulo, nos últimos dois meses, o evento desembarca, de hoje ao dia 7, no Galpão Bela Maré, no Complexo da Maré, onde o projeto começou. Para esquentar, sua abertura será às 16h, com a pelada ‘Aqui Ninguém é Alemão’. 

Écio Salles e Julio Ludemir criaram a Flupp%2C que agora volta à MaréDivulgação


“A ideia é tentar recuperar o sentido simbólico do futebol no Brasil como algo capaz de superar as diferenças”, explica Écio Salles, sobre o jogo que une 18 escritores alemães, autores brasileiros, funkeiros, ativistas e moradores do entorno.

Depois da pelada, com todos já devidamente aquecidos, inicia-se uma leitura de textos. O foco são as cidades e suas temáticas. Autores como o alemão Lucas Bard Vogelsang e o carioca Chacal continuam os trabalhos literários amanhã, e o encontro segue até sábado.

“A partir da literatura, a Flupp também busca abordar uma cidade que respeita as diferenças”, diz Salles, que ressalta a importância cultural da Maré como polo dessas discussões, e de grande efervescência cultural e social.

Aliás, as peculiaridades culturais de cada periferia por onde a Flupp passou em abril e maio chamaram a atenção dos organizadores. “Obtivemos um retorno diferente em cada lugar. O parecido foi o desejo que a Flupp voltasse em algum momento”, comenta Julio Ludemir, também idealizador do projeto.

Ele destaca que, apesar de Curitiba ter uma grande tradição literária, isso não se expandia às periferias, o que aconteceu aconteceu na edição feita em Vila Verde. Em Salvador, na comunidade de Alagados, o destaque foi a cena do movimento negro. Já em São Paulo, a poesia foi o grande foco. Mesmo com retorno positivo e o desejo de reproduzir a experiência em âmbito nacional, nada é certo ainda. “É um projeto ambicioso e que demanda um nível de planejamento e orçamento de que até agora a gente não dispõe”, justifica Ludemir, que articulou a vinda de 33 autores internacionais para o evento.

Se o festival vai rodar o país novamente, ainda é mistério. Mas, no Rio, a edição intitulada Flupp Pensa já tem data marcada, de 12 a 16 de novembro, na Mangueira. “Vamos reproduzir a Copa do Mundo, só que literária”, adianta Ludemir, que deve reunir 32 autores de países diferentes.

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