Skank lança álbum em plena Copa

‘Temos chance de nos destacarmos’, aposta Samuel Rosa, em um papo sobre rap, drogas e futebol

Por julia.sorella

Rio - Era para falar do novo CD ‘Velocia’, mas o clima da entrevista estava tão descontraído, passando por assuntos como discos de vinil ou o antigo videogame Atari (tópicos de interesse dos integrantes), que uma pergunta marota saltou no meio do papo, brincando com o nome da banda e da chamada ‘supermaconha’ — e arrancou uma gargalhada desconcertada de Samuel Rosa: “Afinal, você fumou um ‘skank’ com o Santana?”.

O mineiro participou do mais recente disco do legendário guitarrista mexicano e ícone da geração ‘sexo, drogas e rock and roll’ (o cara tocou em Woodstock!). Às vésperas da Copa do Mundo, o craque Samuel não perde a pose, mata no peito e devolve com elegância: “Não fumei, não, mas tomei umas tequilas muito boas com ele, de uma marca chamada Casa Noble, acho até que o próprio Santana é o dono. E, olha, nem sei se ele fuma, porque eu não vi em nenhum momento”, relata. “O que ele me contou é que tomou muita mescalina em Woodstock, e que, se tivesse entrado naquela onda, não estaria aqui hoje para contar história”.

De volta ao Brasil e ao grupo, Samuel seguiu na finalização de ‘Velocia’. “Esse nome... o tempo é um assunto que estava na minha cabeça. Lá se vão mais de 20 anos de banda, e parece que passou voando. Eu fui no Google e coloquei palavras como ‘velocímetro’, ‘veloz’... Aí apareceu ‘velocia’. Acho que é latim”, arrisca.

SkankDivulgação

Quem bate um bolão com ele no disco é Nando Reis. A dupla assina mais da metade das faixas. “Rapaz, eu tenho tantas parcerias com o Nando que daria para completar mais que um álbum duplo”, contabiliza o cantor e guitarrista do Skank. “Nosso processo é sempre assim: eu faço a melodia e ele, a letra. Acho que nossos maiores sucessos são ‘Resposta’ e ‘É Uma Partida de Futebol’.”

Essa última traz o emblemático verso “quem não sonhou ser um jogador de futebol?”. “Eu não!”, apressa-se o baterista Haroldo Ferretti, único da tropa que não dá a mínima para futebol. “Já eu sonhei ser jogador, mas lembro bem o dia em que a chave trocou e passei a querer ser guitarrista”, recorda Samuel Rosa.

“Era pivô do time Olímpico, de futebol de salão, em Belo Horizonte. Aos 14 anos, fui participar de uma peneira no Atlético Mineiro. O técnico não me chamou, lembro como se fosse hoje, me causou um trauma. Ali eu decidi que ia fazer aula de violão. O técnico disse: ‘Não faz isso, você vai acabar drogado...’ Nesse dia, a música ganhou um cara mais ou menos, mas o futebol com certeza não perdeu ninguém!”, decreta.

"Velocia" novo álbum do SkankDivulgação

Para apostar no lançamento de um CD em uma época monotemática — no caso, a Copa do Mundo —, tem que ter coragem. “Por outro lado, temos chance de nos destacarmos justamente por isso: não há ninguém lançando nada, só a gente!”, argumenta Samuel Rosa. “E nem estão falando tanto da Copa quanto se esperava”, completa o tecladista Henrique Portugal. “Lembro que, nessa mesma época, em outros anos, já estávamos em uma euforia bem maior. E olha que a Copa nem era no Brasil.”

Além de Samuel, Haroldo, Henrique e Lelo Zaneti (baixista), a escalação do Skank em ‘Velocia’ ganha os reforços do produtor Dudu Marote (que já trabalhara com o grupo e volta ao time), dos cantores Lucas Silveira (do Fresno) e Lia Paris, além dos rappers BNegão e Emicida.

“O que buscamos nos parceiros foi a estranheza aos nossos acordes e melodias”, explica Samuel. “Com o rap, ficou uma pegada musical diferente, porque é um gênero mais ritmado e falado.”

‘Velocia’ é o primeiro disco de inéditas da banda em seis anos — o anterior é ‘Estandarte’, de 2008. “É o Skank desafiando a modernidade. Em uma época supersônica, a gente demora seis anos para lançar um disco novo”, brinca o vocalista.


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