Bia Willcox: O politicamente incorreto que não pode faltar

Eu preciso de humor pra ser feliz. Não passo muito tempo sem brincar, ironizar e até mesmo me autozoar

Por tabata.uchoa

Eu preciso de humor pra ser feliz. Não passo muito tempo sem brincar%2C ironizar e até mesmo me autozoarAgência O Dia

Rio - Quando se trata do politicamente incorreto, eu sou uma pessoa dividida. Existe uma Bia que tem empatia e que procura não cutucar ferida de ninguém. Essa mesma Bia tentou nunca zoar ninguém por conta dos defeitos físicos ou mentais. Questão de sensibilidade, talvez. A regra de ouro, aquela em que você não deve fazer com o outro o que não gostaria que ele fizesse com você, é uma das minhas máximas cotidianas. Faço um esforço diário pra segui-la.

Essa Bia a que me refiro apoia o fato de o politicamente incorreto estar sendo a cada dia mais renegado nas escolas, repartições, lugares públicos, eventos sociais e afins. Afinal, o mundo politicamente correto é mais justo, menos impiedoso, menos dolorido. Mais feliz. Será esse mundo realmente mais feliz?

É nessa pergunta que surge a outra Bia. Eu preciso de humor para ser feliz. Não passo muito tempo sem brincar, ironizar e até mesmo me autozoar. São os momentos mais divertidos quando compartilho com cúmplices mais próximos a minha verve e as minhas risadas.

Esses momentos politicamente incorretos de quase êxtase são aqueles em que eu me permito brincar com estereótipos, preconceitos ou simplesmente antipatias. Sou dessas. É quando faço piada do sobrepeso, do português errado, do gosto pelo cafona, da pieguice alheia e da falta de dinheiro também. E repito, não me deixo de fora. Minhas zoadas politicamente incorretas volta e meia incluem a minha pessoa. Essa é a graça. Poucas coisas são mais divertidas. Entende por que me sinto dividida?

A sociedade deve caminhar na direção do respeito a todas as diferenças. Mais do que tolerar as diferenças, simplesmente respeitá-las. Aceitando qualquer realidade como normal e possível, convivemos com tudo o que aparecer pela frente de forma natural e pacífica. É isso que eu quero para nós. Com certeza.

Mas e aí? Na sociedade evoluída que eu, que nós desejamos, acaba a graça da piada e da zoação? Ah, não! Como faz então? O politicamente incorreto é a pimenta do nosso cotidiano. Por isso, assumo que sou dividida quando se trata de bani-lo da nossa convivência. Mas não estou sozinha nessa divisão: a nossa sociedade também está dividida entre o púbico e o privado.

Pelo que vejo nas redes sociais, não sei por quanto tempo ainda teremos privacidade, mas enquanto ela existir, pretendo continuar sendo politicamente incorreta na cozinha da minha casa, com a galerinha do meu dia a dia. As 2 Bias em 1 sobreviverão. Assim mesmo. Yin e Yang. Divididas, mas mais felizes.

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