'Sexo e as Negas': Moradoras de Cordovil falam como lidam com a moda

Série estreia na próxima terça, na Rede Globo

Por karilayn.areias

Rio - Sempre com o cabelo em dia, a unha feita e sem sair do salto, as mulheres da Cidade Alta, em Cordovil, mostram que não estão de brincadeira. Batalhadoras, elas correm atrás dos próprios sonhos e dos homens sem a menor timidez, mas também sem perder o romantismo. Essas são mulheres reais que estão representadas na ficção, com a série ‘Sexo e as Negas’, de Miguel Falabella, que estreia na próxima terça-feira, na Rede Globo.

Falabella posa com as protagonistas de 'Sexo e As Negas'AgNews

As amigas Caroline Vicente, de 26 anos, Flavia de Almeida, 33, e Leila Ferreira Gomes, 37, são todas moradoras da Cidade Alta, e fazem coro ao falar da força da mulher de Cordovil. “Eu me sinto honrada com a representação. As atrizes vieram aqui fazer laboratório para a série e viram que as mulheres de Cordovil estão sempre arrumadas e cheirosas, nunca deixamos de nos cuidar. Cada uma com o seu estilo, mas sem perder a vaidade”, disse a estudante Carol, que é nascida e criada no bairro.

A implantista de cabelo Leila conta que as meninas da comunidade não perdem o glamour nem por conta da rotina atribulada. “Para fazer manicure, a gente marca com antecedência, porque, quando chega o fim de semana, não tem mais horário em nenhum salão de beleza daqui.”

A atriz Maria Bia, que interpreta a personagem Soraia na série, faz coro. “Quando fui para Cordovil, fui muito bem recebida. As meninas de lá são lindas, sempre maquiadas, com um cabelo transado. Se preocupam em cuidar delas mesmas.”

E, falando em beleza e vaidade, Flavia, que é professora de informática, revela que a diversidade está em alta. “Aqui no bairro, as meninas estão usando muito o cabelo black, mas o implante alisado não fica para trás, não. Sem falar dos vários tipos de tons. Aqui tem ‘nega loura’, tem morena de trancinha, tem ruiva de black. Tem de tudo. Todas lindas, né?”

Mas não é só a beleza das meninas da região que estampa a série de Falabella. Em ‘Sexo e as Negas’, as quatro personagens são mulheres bem resolvidas sexualmente, assim como na série americana ‘Sex And The City’, que inspirou o roteiro. Na comunidade, as meninas fazem questão de dizer que não têm medo de dar em cima do ‘boy magia’ no pagofunk ou no baile charme, que elas costumam frequentar.

“Aqui é assim, se você está a fim de um cara, você chega junto, mesmo. Mostra interesse, dá aquela jogada de cabelo, troca um olhar. Mas, claro, sem ser vulgar e sem perder o romantismo”, revela Leila. Flavia assina embaixo: “Toda mulher tem que ser assim. Nós somos independentes e donas da gente. Eu que dei em cima do meu marido. Com um jeitinho feminino, mostrei interesse, e deu certo.”

Corina Sabbas, que dá vida a Tilde, conta que a série vai retratar esse lado livre que viu durante o laboratório em Cordovil. “Elas têm a autoestima lá em cima e bancam tudo. Elas que escolhem o homem com quem querem ficar”, diz.

Mas, seguras de si, as meninas garantem que a busca pelo ‘príncipe encantado’ não é pauta principal. “As mulheres não necessitam de um homem. É muito bom ter um companheiro ao seu lado, mas eu, por exemplo, não abro mão dos meus sonhos por conta de um cara”, afirma Carol.

Nieta Costa, camareira de Miguel Falabella, moradora de Cordovil há mais de 40 anos, serviu de fada madrinha para o programa. Foi em uma feijoada na casa dela que o autor teve a ideia da série. Dona de uma loja de roupas, Nieta acompanhou a produção e diz que as moradoras da comunidade vão se identificar bastante. “Lá na Cidade Alta, as meninas moram em comunidade, mas estão sempre arrumadas, gostam de se cuidar, são vaidosas e batalhadoras. A série mostra exatamente isso. Uma mulher guerreira, mas que, ao mesmo tempo, é sonhadora.”

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia