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Dicas de etiqueta para a noite de Natal ser feliz e não acabar em confusão

Acostumados a receber bem, Gloria Kalil, Bruno Chateaubriand e Licia Egger dão dicas para evitar as gafes nas festas de fim de ano

Por bianca.lobianco

Rio - Os sapatinhos já estão na janela do quintal, os pisca-piscas reluzindo nas árvores, o pão de rabanada encomendado e o presente do amigo oculto comprado, porque “Então é Nataaal”, lembra a cantora Simone. E aquele famoso momento de confraternização em família se aproxima, para felicidade de alguns e pânico de outros tantos, já que, para muita gente, a noite do dia 24 e o almoço do dia 25 representam a difícil missão de ter que conviver com a parte distante da família. Mas, como se trata de uma tradição, há de se fazer um esforço e seguir um pequeno roteiro para entrar no espírito natalino, sobreviver à noite e não cometer nenhuma gafe.

Bruno Chateaubriand e André Ramos posam em sua casa decorada para as festas de fim de anoDivulgação

Para abrir o manual dos bons costumes natalinos, vai a primeira regra: pendure o assunto política na porta de entrada, junto com a guirlanda. A noite não é o momento ideal para saber quem votou em Dilma ou em Aécio. “Este ano, especialmente, política é um assunto para se esquecer na data, já que foi uma eleição muito acirrada, de lados muito divididos. Muitas vezes, pessoas de uma mesma família acham que todo mundo ali comunga dos mesmos ideais, mas não é assim”, ensina Gloria Kalil, papisa em etiqueta.

Bruno Chateaubriand, famoso por, junto a André Ramos, seu companheiro, receber as pessoas como ninguém, concorda. “Nunca coloque em pauta assuntos polêmicos. Fale das flores, do calorão que anda fazendo na cidade, do preço do chester, que está pela hora da morte, e mantenha o assunto por aí”, brinca ele.

Maria Clara Bubna, estudante de Direito, de 21 anos, já sofreu por não respeitar essa regrinha. “Apesar de nos amarmos muito, eu e minha família temos muitas divergências políticas. Então já acabou virando briga e, algumas vezes, já aconteceu de ficar um climão”, conta ela, que, garante, no entanto, que a época de desentendimentos em família ficou no passado. “Agora, respiro fundo, porque percebi que era pior brigar do que engolir sapo e deixar para lá”, entende.

Para o amigo oculto correr bem e ninguém ficar chateado, uma dica é estipular o valor dos presentes. “Criar um grupo da família no WhatsApp e conversar direitinho sobre qual preço é o ideal”, opina Chateaubriand. A especialista em etiqueta Lícia Egger concorda. “Uma família costuma reunir pessoas de condições financeiras muito diferentes, por isso é bom ter um valor médio”, diz ela. A medida evita que uma pessoa dê um celular e ganhe um par de meias de presente.

Outra coisa importante, ensina Glorinha, é procurar saber o que aconteceu com a família ao longo do ano. “Para famílias maiores, que praticamente só se encontram nessa data, é bom se informar. Perguntar se está todo mundo bem, se tem alguém doente, se alguém faliu ou se divorciou. Isso evita situações constrangedoras, tipo perguntar pelo tio fulano que morreu”, observa.

Chester, peru, farofa, salpicão, bacalhau, panetone... o cardápio típico da data, que alguns tanto amam, também merece uma atenção para não virar motivo de problema. “Hoje em dia, é importante considerar pelo menos uma opção vegetariana, como uma massa ou salada”, aponta Gloria Kalil. Já Bruno Chateaubriand pensa diferente: “A minha ceia é tradicional! Minha mãe já dizia: ‘Quando você sai de casa, tem que estar preparado para comer de tudo.’ Se você não come isso e aquilo, leva seu Tupperware preparado com o que você quiser comer. E, claro, tem que dizer que está tudo ótimo sempre. Imagina chegar na casa daquela sua tia e reclamar da comida? Não rola”, dispara.

Com o roteiro a seguir em mãos, encarne o espírito do Bom Velhinho e um ótimo Natal (e, em nome da tradição, está liberada a piadinha “É pavê ou é pacomê?”).

NADA DE POLEMIZAR
Discutir religião, política e até futebol pode trazer problemas, então não importa quem é evangélico, quem é espírita, quem é petralha e quem é coxinha.

COM QUE ROUPA EU VOU?
O que vai ser usado deve ser escolhido com critério. Não é bacana ir vestido como se fosse ficar em casa, em consideração a quem está recebendo, mas, principalmente em famílias que têm condições financeiras muito distintas, ir ostentando demais pode pegar mal. Já há uma árvore de Natal!

AMIGO OCULTO E COM NOÇÃO
Na hora de falar quem tirou no amigo oculto, evite descrições desagradáveis do tipo “o meu amigo oculto está desempregado”. Se há um valor estipulado, não vale fazer o mão de vaca. O presente deve respeitar o preço estabelecido para não causar mal-estar.

NA HORA DA CEIA
Se você é anfitrião, pode tentar pensar nas preferências de quem vai receber. Se você é convidado e odeia passas no salpicão ou banana na farofa, paciência. Não pega bem reclamar.

SEM FANTASMA DO NATAL
Falar de desavenças e problemas antigos não é uma boa ideia, pois pode acabar retomando brigas. Lembrar de parentes queridos que se foram também pode pesar o clima. Deixe o passado guardadinho onde está.

TODOS PRESENTES
Para quem puder, é interessante comprar um DVD, livro, taça de vinho ou outro presente curinga unissex, para que nenhum esquecido acabe ficando sem ganhar nada.

RETROSPECTIVA 2014
Para aqueles que quase não se encontram o restante do ano, vale a pena falar com os mais chegados e fazer a retrospectiva familiar 2014: descubra quem casou, quem separou, quem teve filho, se alguma criança não passou de ano. Vale se informar para não ser inconveniente nos comentários.

FAMÍLIA Ê, FAMÍLIA AH!
Os namorados e novos agregados da família merecem atenção. É bacana receber bem quem está chegando agora no grupo e tentar fazer com que todo mundo se sinta à vontade.

HOJE EU VOU TOMAR UM PORRE
Ao contrário das festas de empresas, na noite de Natal é liberado beber um pouco além da conta. O que não vale é perder a noção e fazer o supersincero, falando suas verdades que talvez ninguém queira ouvir.

SEM GRANDES REVELAÇÕES
A noite de Natal não é o melhor momento para contar grandes novidades. Nem pensar em sair do armário nessa noite e criar aquela comoção em família. “Deixa para sair do armário no Ano Novo, que já tem mais glamour, champanhe, fogos. No Natal, fica quietinho na sua”, recomenda Bruno Chateaubriand.


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