Sinara e Dônica tocam em festival e têm filhos de famosos em sua formação

Bandas têm entre seus integrantes filhos de Gil, Caetano, George Israel e Preta Gil

Por tabata.uchoa

Rio - Estrear já tendo como fãs número um Gilberto Gil, Caetano Veloso, Preta Gil, George Israel (saxofonista do Kid Abelha) e o diretor de teatro Moacyr Goes não é para qualquer pessoa. As bandas Sinara e Dônica trazem tais parentescos nos DNAs de vários de seus músicos. E são elas que abrem, dia 22, para a Banda do Mar no festival de verão que anima a Marina da Glória, o Rider Weekends. O parentesco e as portas abertas na mídia e no mundo musical é algo que os rapazes, todos em torno de 20 anos, encaram na boa.

Dônica e Sinara%3A atrás%2C Tom Veloso%2C (E) Ibarra%2C André%2C José Gil%2C João Gil. À frente%2C Lucas (E)%2C Miguima%2C Luthuly%2C Léo Israel e Francisco GilMárcio Mercante / Agência O Dia

“Meu pai ainda nem conhece nosso som. Esse show vai ser o primeiro que ele vai assistir”, diz José Gil, filho do cantor de ‘Aquele Abraço’ e baterista do Sinara. “Ele fica mais alegre em ver a gente envolvido com música do que ouvindo o nosso som. Mas elogiou a cozinha (bateria e baixo) do grupo!”, brinca ele, ao lado de Luthuly Ayodele (vocal), Francisco Gil (guitarra, filho de Preta Gil e do ator Otávio Müller, e neto de Gil), Leo Israel (filho de George, teclados) e João Gil (sobrinho de Gil, guitarra). Faltou o baixista Magno Britto, que estava viajando.

O encontro dos dois grupos é como o de uma turma de amigos — todos combinam de ensaiar e pode até sair um número juntos no palco da Marina da Glória. “Ih, mas é surpresa ainda, hein?”, conta o tecladista e vocalista do Dônica, José Ibarra. Se o Sinara mistura rock e reggae, o Dônica — que tem Tom Veloso, filho mais novo de Caetano e a cara do pai, como compositor — aparece fazendo, olha só, rock progressivo. Um som que não é bem a cara do verão, mas que já abriu portas na Sony Music, que lançou o EP digital do grupo.

“Tá indo bem melhor do que a gente imaginava e acho que a galera já está esperando o CD de verdade”, conta o guitarrista Lucas Nunes, ao lado de Tom, Ibarra, André Almeida (bateria) e Miguima, ou Miguel Guimarães (baixo, filho de Moacyr Góes). Uma curiosidade: Tom, que chegou quando a banda já estava formada, não sobe ao palco. Fica só nas composições. “Tem uma timidez minha nisso, sim. Mas eu não toco guitarra e não tem como encaixar meu violão no show”, diz Tom, contando que seu pai admira a banda. “Ele elogia muito minhas composições e o potencial de todo mundo da banda”, revela.

Do progressivo para o clima solar: o Sinara tem astral carioca em composições e na atitude do vocalista Luthuly Ayodele, criado na Rocinha e também filho de músico (o compositor de samba Mauricio Soca). Ele escreve as letras e filosofa bastante.

“O sonho dele era que eu fosse artista. Sempre fui agitado e ele me levava para tudo quanto era show no Circo Voador. Fui canalizado para a música desde cedo. Acho que sempre vou estar conhecendo a música e ela a mim!”, brinca o autor de canções como ‘Floresta’. Francisco Gil divide composições e já estreou sendo gravado pela mãe, em ‘Mulher Carioca’. “Ela estava gravando um CD e ia receber músicas do meu avô e do ‘tio’ Caetano. Quando ela me pediu, eu falei: ‘Pô, você tá esperando músicas deles e pede pra mim?’ Achei até que não fosse sair”, confessa. Preta já cantou seu hit ‘Sinais de Fogo’ com eles. O pai Otávio foi ver um show e chorou. “Ficou gritando: ‘Vocês são malucos! Vocês são malucos!”, brinca Luthuly.

Além, claro, da influência de Caetano, o Dônica (que é agenciado pelo escritório Uns Produções, da mãe de Tom, Paula Lavigne) cita os mineiros como um som do qual todos gostam. “Nos reunimos sempre para ouvir música na casa do Deco (André) e, quando pusemos o disco ‘Clube da Esquina’ (disco de Milton Nascimento e Lô Borges, de 1971), foi muito forte”, lembra Lucas. A música ocupa o dia a dia dos cinco, mas sobra tempo para ir à praia, cachoeira, jogar videogame (mania do baterista André). “Fora da música, eu curto plantas. Pode botar aí!”, anuncia José Ibarra.

O Sinara aproveita para lançar o nome da banda como uma nova gíria — que significa, para eles, “sinistro, maneiro”. Uma referência ao ‘Odara’, de Caetano? “Pô, se a gente conseguir fazer o Sinara chegar a tantos ouvidos assim, vai ser ótimo”, brinca Francisco.

Festa na Marina

O Rider Weekends 2015 começa hoje na Marina da Glória com o show de Criolo e a festa Madureira Disco Club. Tem mais festas no fim de semana por lá: Rio Porque Tô No Rio + Nas Internas aportam amanhã e a dupla Modinha! A Festa + Vambora! ocupa no sábado o local — que ganha uma cara de ilha de contêineres, com intervenções artísticas e grafites.

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