Festival de Tiradentes repensa o espaço do nosso cinema atual

Edição deste ano exibe 128 pré-estreias

Por daniela.lima

Rio - A produção cinematográfica aumenta, o número de salas exibidoras nem tanto. Em contrapartida, há a concorrência dos telões com os celulares, tablets e computadores. Sempre embasada em um novo tema, a 18ª Mostra de Cinema de Tiradentes deste ano — que vai de amanhã ao dia 31 — tenta mostrar o lugar que o cinema de hoje ocupa através de 128 filmes nacionais em pré-estreia. 

‘Órfãos do Eldorado’%2C com Daniel de Oliveira e Dira Paes%2C abre o festival Divulgação


O primeiro dessa lista, que abre o festival, é o inédito ‘Órfãos do Eldorado’, de Guilherme Coelho. Protagonizado por Daniel de Oliveira e Dira Paes, homenageada do festival, o longa apresenta uma história envolvida por lendas amazonenses. “Tiradentes aposta em um cinema mais radical, de estéticas fortes”, classifica o curador Francis Vogner.

A intenção do time de curadores foi eleger filmes que julgam precisar ser vistos em ambientes escuros com telões. Como se o ambiente fosse parte imprescindível para a narrativa deles. “Hoje em dia temos muito mais possibilidades e plataformas de exibição. E tudo com alta qualidade de imagem”, diz Vogner, que assina a curadoria da mostra junto a Pedro Maciel Guimarães e Cléber Eduardo.

Ao todo, serão 59 sessões, com 37 longas e 91 curtas, distribuídos em três pontos: Cine-Tenda, Cine BNDES na Praça e Centro Cultural Yves Alves-Sesi Tiradentes. As produções representam 16 estados, inclusive o Rio de Janeiro. Quem conquistar o Prêmio Itamaraty e do Júri da Crítica levará R$ 50 mil para casa.

Dividido entre mostras de curtas e longas-metragens, o festival fez uma seleção que chama atenção pela diversidade e o destaque de jovens realizadores. “Acho cada vez mais difícil traçar algo comum dentro da produção atual do cinema nacional. Mas percebi duas tendências. A primeira é que estão investindo mais em dramaturgia. A segunda é que muitas produções universitárias, concentradas na mostra Formação, têm demonstrado muita qualidade e maturidade”, analisa ele.

Mas, além da nova geração, os veteranos também recebem espaço especial em Tiradentes. Domingos de Oliveira exibirá seu longa autobiográfico ‘Infância’, protagonizado por Fernanda Montenegro. José Mojica, o Zé do Caixão, volta às telas com o inédito ‘As Fábulas Negras’, filme com personagens do folclore brasileiro em cenários de horror. “É tanto filme que até eu me perco. O mais importante é que escolhemos títulos que seguem a proposta do festival, despertam empatia e dialogam com o grande público”, conclui Vogner.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia