Por daniela.lima

Rio - Quando o amor não é o responsável pela loucura, ele pode até curá-la. É com esse enredo que o espetáculo ‘Pulsões’, dirigido por Kika Freire, estreia nesta quinta-feira no Teatro Poeira. A história é contada pelos personagens de Fernanda de Freitas e Cadu Fávero, que vivem, respectivamente, uma bailarina e um maestro nos palcos. 

Fernanda de Freitas%2C Cadu Fávero e os músicos João Bittencourt e Maria Clara ValleDivulgação

“A peça se passa num local indefinido, te dá margem para pensar que eles estão em qualquer lugar, num hospício, numa viagem. É uma história de amor e uma tentativa de cura. Minha personagem é psicótica e ela tem seus momentos de alívio quando se aproxima da realidade através do amor, da dança e da música”, explica Fernanda de Freitas.

Para deixar o espetáculo ainda mais emocionante, os atores dividem o palco com músicos que tocam violoncelo e piano, embalando o diálogo com as canções. “Confesso que muitas vezes eu senti vontade de chorar nos ensaios, quando ouvia a música tocar. Ela vai entrando na gente de uma forma inexplicável”, justifica.

É a primeira vez que a atriz sai de sua zona de conforto, que é a comédia, para viver um personagem com um quê de tragédia no teatro. “Esse é um gênero que eu nunca experimentei. Tem romance, mas é uma tragédia. É um trabalho intenso, acabo suando muito, perdendo muito líquido durante os ensaios, porque o corpo é o principal instrumento. Mas estou superanimada e feliz”, comemora a atriz.

Embora a peça não tenha um discurso linear, Fernanda garante que a linguagem não é complexa e que o público vai se identificar. “As pessoas vão viajar e pirar com as músicas. Também acho que todo mundo já viveu uma história de amor ou de loucura, e eu realmente acredito que o amor alivia em qualquer ocasião. Quando se tem uma dor, a única coisa que conforta é estar com alguém que você ama ao lado.”

A diretora se aprofundou nos estudos da psiquiatra Nise da Silveira, que afirma que “A loucura está profundamente ligada ao desamor e só o amor salva alguém da loucura”. Fernanda revela que muito estudo foi feito para que conseguissem reproduzir com fidelidade uma pessoa que sofre de transtornos psicóticos. Conta, também, que a renda de uma das sessões será toda revertida para ajudar a clínica psiquiátrica Casa das Palmeiras, em Botafogo, que corre o risco de encerrar suas atividades por falta de investimento.
“A loucura vem de uma má formação de algo no cérebro, vem da genética, e sabe-se que ela é tratável, mas não é curada definitivamente. Uma das características é perder o contato com a realidade, as pessoas ouvem vozes. A doutora Nise conseguiu curar muitos pacientes através do amor e da arte, ela sabia o problema de cada interno. É preciso saber quais são os monstros que moram dentro das pessoas”, reflete a atriz, que garante que só tem um ‘monstro’ que a deixa maluca: o da estreia.

“Ele me assombra muito. Acho muito difícil estrear, é como se fosse um parto, embora eu nunca tenha tido filhos. Existe toda uma preocupação, uma ansiedade, a vontade de saber se vai ser perfeitinho”, avalia.

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