Por daniela.lima

Rio - Na contracapa de seu mais novo CD, ‘Porta-Voz da Alegria’, Diogo Nogueira decidiu usar uma foto de seu filho, David, de 9 anos, tocando tamborim. “Escolhi essa imagem porque a criança é a maior porta-voz da alegria. Eu sou babão, aquele pai que fica olhando, babando a cria. E ele adora samba, adora um palco”, diz. “Eu fiz um lançamento no Vivo Rio e ele foi assistir e tal. Ficou na coxia esperando eu chamar pra que fizesse uma participação. Eu disse: ‘Agora, vou chamar aqui uma participação especial, meu filho, David Nogueira!’ Aí ele entrou correndo, foi lá na frente, agradeceu, sentou lá atrás com os músicos e ficou tocando o instrumento. Quer coisa mais porta-voz da alegria que isso? Não tem”, diverte-se Diogo. Quem sabe não vem aí a quarta geração dos Nogueira no samba? 

'Meu pai tem uma história de vida muito bacana%2C tem coisas fantásticas%2C comédia%2C emoção%2C aventura%2C drama%2C tem tudo. As pessoas vão se identificar muito'Fernando Souza / Agência O Dia


O disco novo chega às lojas no mês que marca os 15 anos da morte do pai de Diogo, o cantor e compositor João Nogueira (também ele filho de sambista, de quem herdou o nome). “No dia 5 de junho, eu estava no palco com o ‘SamBra’, modifiquei o texto todo (risos) e fiz uma homenagem a ele. Falei que aquele dia ali estava fazendo cinco anos que meu pai partiu, aí rolou uma emoção generalizada no teatro, em Salvador. Foi um dos momentos mais aplaudidos do espetáculo”, conta ele, em entrevista no Lapa 40º.

Se hoje, com oito anos de carreira, as comparações do artista com o pai ficaram para trás, Diogo diz que nunca teve problemas com isso (“acho que ser comparado ao João Nogueira quer dizer que o cara é bom”, ri) e que toparia viver o pai em um musical para o cinema — projeto, que, aliás, ele tem muita vontade de realizar. “Ele tem uma história de vida muito bacana, tem coisas fantásticas, comédia, emoção, aventura, drama, tem tudo. As pessoas vão se identificar muito com a história dele, vão se ver”, acredita Diogo, que gostaria de ter Belisário França na direção e Patricia Andrade no roteiro.

Fazer cinema, aliás, é uma ideia que atrai muito o cantor. “Um filme bacana, um personagem bacana, eu entraria de cabeça. Quem sabe Hollywood?”, gargalha. A experiência na atuação ele vem acumulando com as apresentações do musical ‘SamBra’ (de Gustavo Gasparani) pelo país, sua estreia como ator. “No início, fiquei nervoso, com medo de não dar conta, mas depois que eu vi o processo e a maneira como o Gustavo escreveu, eu me senti confortável, aí fui de alma e coração”, diz. E com direito a momentos de fortes emoções: “A passagem do bastão do poeta para a continuação é muito parecida... Na verdade, fala da minha história com meu pai... Passa um filme da relação que tive com ele, da maneira como ele foi, que foi praticamente desse jeito, ele faleceu nos meus braços”, lembra, sério.

Outra experiência que pode ajudar numa incursão de Diogo no cinema é a experiência dele como apresentador do programa ‘Samba na Gamboa’, da TV Brasil, há seis anos no ar. “Aprendi muito a coisa da câmera, a televisão, essa jogada.” Diogo também tem a favor a pinta de galã, mas minimiza. “Todo artista tem essa coisa, o público tem um fetiche. Pode ser bonitão e também um cara que não é bonitão. O artista sobe no palco e tem essa magia do público ficar encantado por aquela pessoa. É um processo natural da arte”, garante o moço de sorriso largo e olhos verdes.

Com fôlego para todos esses projetos ao mesmo tempo, ele se prepara para uma turnê na Europa, entre julho e agosto, que vai passar por dez países. Em setembro, deve dar início à turnê de ‘Porta-Voz da Alegria’, seu quarto disco de estúdio. “Quis fazer um disco mais alegre, mais alto-astral”, explica ele. São 17 faixas, sendo 11 inéditas, com produção de Bruno Cardoso e Lelê Almeida. “A alegria tem tudo a ver com a alma do brasileiro.”

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