Por roberta.campos
Publicado 27/12/2015 15:06 | Atualizado 27/12/2015 15:09

Rio - E não é que ela não larga do meu pé. Acordei assim, com ela me perturbando. Afinal, hoje já é 28 e faltam só três dias.

Tenho que ser justa, há outras épocas do ano e da minha vida em que ela me perturba. Há horas críticas de determinados dias em que é preciso enxotá-la daqui. Ela é uma grandissíssima filha da mãe que não respeita nem sono, nem datas comemorativas e nem dia de reunião e decisão.

Meus momentos na companhia delaArte O Dia


E hoje tá ela aqui, já à mesa do café, botando caraminhola na minha cabeça e tirando o meu apetite. Esse final de ano parece que ela está mais grudenta que nunca — fica atrás quando vou à praia, ao supermercado e até quando vou pro banho.

Deve ser porque ela é ansiosa e não sabe o que vem pela frente. Deve ter medo de fogos e se pergunta pra que tantos. “Comemorar o quê?”, deve pensar ela, compartilhando as manchetes do meu jornal e os tuítes no meu tablet. Em dias como os de hoje, com um país se demolindo e se destruindo (Brasil Autofágico), reconheço que até preciso de seu colo para me consolar. Na real, ela me sinaliza o mundo real, me faz sentir viva, mesmo que chateada ou de saco cheio.

E olha, não há muitos indícios de que me livrarei dela tão cedo. É bem provável que ela faça a contagem regressiva comigo no dia 31.

Depois, passados as primeiras horas e dias, devo ter algum descanso dela, a chatinha. Se bem que algo me diz que ela ficará no meu pé ao longo do difícil ano de 2016. Grudada.

De toda a forma, tenho que dar a Cesar o que é de Cesar: é ela que me faz fazer valer cada momento leve de felicidade e otimismo. Um brinde a ela, a inseparável Angústia.

Ah, e feliz 2016. Que ele seja novo mesmo — novo de gestos, atitudes e ações melhores do que as de 2015. 

Você pode gostar