Juliana Paiva - João Miguel Júnior/TV Globo
Juliana PaivaJoão Miguel Júnior/TV Globo
Por Gabriel Sobreira

Alguma vez já sentiu as pessoas te julgarem pelo que você usa ou aparenta? Juliana Paiva já sentiu na pele no intervalo de uma gravação da novela 'O Tempo Não Para' que estreia dia 31 de julho, na Globo , em São Paulo. Apertada para ir ao banheiro, ela não pensou duas vezes ao avistar uma padaria perto da locação. "Esqueci que estava com a roupa (de época). Quando eu cheguei, ficou todo mundo me olhando e pensando: 'Fugiu do hospício agora, tadinha'", brinca a atriz, de 25 anos, aos risos. "Você recebe esse olhar e é interessante", completa.

HISTÓRIA

Na novela de Mario Teixeira, ambientada em 1886, Juliana dá vida à jovem Marocas, garota de personalidade forte, que depois de recusar um casamento no altar, se vê obrigada pelo pai a viajar com toda a família para a Europa. A viagem tem um desvio de rota para uma breve visita à Patagônia. É justamente aí que o navio do clã se choca com um iceberg. A família de Marocas seus pais Dom Sabino (Edson Celulari) e Dona Agustina (Rosi Campos) e as irmãs, as gêmeas Nico (Raphaela Alvitos) e Kiki (Nathalia Rodrigues) e seus agregados sobrevivem ao impacto, mas ficam congelados em um bloco de gelo por 132 anos.

"No primeiro capítulo acaba o século 19 e vai para a atualidade. Por isso, a estreia é importantíssima. É a pontinha do fio que vamos desenrolar", explica Juliana, que fará par romântico com Nicolas Prattes, o surfista e empresário humanitário Samuca. "Em nenhum momento a gente podia se cruzar. A gente era proibido de ter uma preparação junta para ter esse olhar de 'quem é você?' e estranhar tudo. Ele não via nem o meu figurino e nem eu o dele. Acho que isso tudo foi importante para a gente ir entrando no clima da novela", conta a atriz.

ROMANCE

Quando um enorme bloco de gelo se aproxima da praia de Santos, em São Paulo, Samuca vê Marocas e fica encantado com a beleza dela. Uma fissura ameaça partir o bloco, e Samuca, no ímpeto de salvar Marocas, se agarra ao pedaço do iceberg em que ela está. Eles são puxados pela corrente e chegam à fictícia Ilha Vermelha. A partir daí começa uma história de amor, que terá que desviar de Betina (Cleo Pires), a noiva do rapaz.

"A Cleo vem com o sarcasmo que não existia na época. Quando a Betina fala 'sai fora', a Marocas pergunta: 'você quer que eu vá embora?'. É quase o português de Portugal, tudo ao pé da letra. Depois, ela consegue colocar a Betina no lugar dela, simplesmente sem ter que levantar o tom de voz, sem ter que falar palavrão ou agredir. É muito gostosinho descobrir esse universo", comemora Juliana, que vive sua segunda protagonista a primeira foi a Lili de 'Além do Horizonte', em 2013.

"Não encaro como um peso porque estou dividindo com um elenco de primeira. Falando de Copa, se o Neymar Jr. marca um gol, muita gente passou bola para ele chegar do outro lado. Ninguém faz nada sozinho. Aqui também é assim. Encaro como uma nova oportunidade, assim como todas as outras que tive, que agarrei e fiz da melhor forma", destaca.

DESCOBERTAS

Entre as descobertas do mundo novo, muitas coisas ganharão a atenção da jovem Marocas. "Ela é muito para frente. Tem cenas em que ela compra lingerie, e ela vem de um tempo em que se usava espartilho, que é super desconfortável, devo confessar. Ela quer mudar e aproveitar um pouco as coisas boas do século 21", diverte-se. "Ela fica apaixonada pela máquina de café expresso. A Marocas pensa: 'como é que pode o trabalho que eles tinham para preparar um café e agora é só apertar um botão?", completa.

EVOLUÇÃO

Acredita que o público comprará a ideia de personagens congelados?

"Nessa novela tudo é muito bem amarrado. Está acontecendo tanta coisa na nossa sociedade, por que não aparecer um bloco de gelo aqui? E tem gente apostando na criogenia estudo da produção de temperaturas muito baixas e seus fenômenos. Isso é muito real. Existem pessoas que, diante de uma doença que não tenha cura, assinam um termo, pagam por esse processo de criogenia na esperança de serem descongeladas quando encontrar a cura. Já tem mais de 20 pessoas assim nos Estados Unidos. Acho que isso é a evolução da ciência", afirma a atriz carioca.

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