Leandro Santanna em cena como Lima Barreto - Bruno Rodrigues
Leandro Santanna em cena como Lima BarretoBruno Rodrigues
Por BRUNNA CONDINI | [email protected]

Rio - A atualidade da obra de Lima Barreto está em cena na cidade. O espetáculo 'Lima entre Nós Estudo Compartilhado A Atualidade de Lima Barreto', reestreia hoje, às 19h, no Teatro Dulcina, no Centro, com ingressos a preços populares. Dirigido por Márcia Do Valle, o ator Leandro Santanna dá vida ao escritor.

Por que ainda é tão importante falar de Lima Barreto? "Ele era um jornalista negro, que falava das questões sociais do Brasil de ontem, e que são ainda as questões de hoje. E não foi aceito por seus pares, assim como Conceição Evaristo", afirma Leandro, referindo-se à escritora negra que recentemente candidatou-se à cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras (e perdeu a disputa).

"Abro o espetáculo com um bilhete que Lima escreveu para a ABL por conta da segunda recusa de sua filiação. Depois, o roteiro fala de corrupção na política, feminicídio. Mais atual, impossível!", diz sobre a montagem, que leva o público ao Rio de Janeiro do início do século 20, época em que Lima viveu.

FAZENDO HISTÓRIA

Indicado ao Prêmio Shell 2018 pelo papel, Leandro sabe o que significa esta indicação depois de 22 anos de trajetória.

"Primeiro: os jurados estão fazendo história com os artistas negros. Segundo: sou um ator de Queimados, indicado ao maior prêmio de teatro da atualidade, em um semestre em que tantas coisas incríveis estrearam. Eu me sinto ganhador do troféu", reflete.

Ator, produtor e diretor da Companhia Queimados Encena desde 2003, ele considera o trabalho do grupo fundamental. "Levamos o nome do município para as páginas de arte e cultura, e nos apresentamos na periferia da cidade com espetáculos de rua. Fazemos temporadas e criamos oficinas de teatro para crianças", diz.

Em ano de eleições, ele salienta o poder transformador da educação e da arte.

"É o maior que existe! Talvez por isso tenham destruído o projeto dos CIEPs. Talvez por isso não haja investimento nesses setores. Talvez por isso não seja interessante formar cidadãos pensantes e críticos. Talvez?".

Por sinal, Leandro conta que já escolheu seus candidatos. "Faço uma avaliação pelo que eles pensam ou já fizeram pela cultura e pela educação. Este é meu viés desde o primeiro voto aos 16 anos".

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