Diogo Nogueira faz o show Munduê - Marcos Hermes/Divulgação
Diogo Nogueira faz o show MunduêMarcos Hermes/Divulgação
Por Ricardo Schott | [email protected]

Rio - Lá vem 'Munduê'. Diogo Nogueira volta ao Theatro Net Rio, em Copacabana, amanhã e sábado às 21h, para continuar a turnê de seu disco comemorativo de dez anos de carreira. É seu primeiro projeto totalmente autoral, com várias parcerias com amigos como Bruno Barreto e Hamilton de Holanda (a faixa-título), Fred Camacho e Leandro Fab ('Coragem') e Leandro Fregonesi ('Tempos Difíceis'). Mas o repertório ainda tem recordações de Gonzaguinha ('Guerreiro Menino') e Chico Buarque ('Apesar de Você').

Hoje é difícil lembrar de Diogo Nogueira como "o filho de João Nogueira", lenda do samba, que saiu de cena em 2000, aos 58 anos. O repertório paterno sempre teve tempo e lugar nas apresentações de Diogo, mas o artista foi ganhando cara própria.

"A estrada é a grande escola. É nela que a gente aprende fazendo shows, testando formatos e amadurecendo. Nem parece que já tenho 10 anos de carreira e, ao mesmo tempo, vejo quantas coisas pude fazer nesse tempo. Sempre busquei inovações no meu trabalho. Bebo na raiz, na fonte, no samba tradicional, mas sou jovem, vivo o meu tempo, e com isso me permito inovar e buscar formatos que tenham a ver com o trabalho que eu queira fazer em diferentes momentos", conta Diogo ao DIA.

FERNANDA MONTENEGRO

'Munduê', o show, apresenta algumas surpresas para os fãs. Adiantando algumas delas, sem dar spoiler: o cenário de Helio Eichbauer é inspirado no teatro chinês e traz uma tela branca gigante onde são projetadas sombras e imagens. E ainda tem uma participação especial à distância de Fernanda Montenegro, que lê um trecho de 'Grande Sertão: Veredas', de Guimarães Rosa, livro que inspirou Diogo a compor 'Coragem'.

"Fiz um disco chamado 'Mais Amor' (2013), que foi dedicado a algumas mulheres importantes do nosso tempo e uma delas foi a Fernanda, que carinhosamente me retornou com um singelo e lindo bilhete de agradecimento. Me senti extremamente honrado por esse carinho dela. Quando estávamos montando o roteiro desse show novo, pensamos em incluir um pedaço do livro", conta. "Surgiu a ideia de termos uma locução em off de alguma voz marcante e então pensamos na Fernanda".

No DVD 'Alma Brasileira', lançado em 2016, Diogo mostrou seu lado instrumentista, tocando trompete. No show novo, essa faceta ficou de lado. "Tive algumas aulas, sei tocar o básico mesmo, e, volta e meia pego ele para tocar, mas para tocar um instrumento de verdade, tem que se dedicar muito, e o tempo tem sido muito corrido para mim", conta.

SAMBA INTERNACIONAL

No mês de setembro, Diogo fez sua quarta turnê americana por palcos como o Berklee Performance Center (Boston), Melrose Ballroom (Nova York), Buckhead Theatre (Atlanta) e House of Blues (Orlando). Complementou a agenda com mais apresentações em Boca Raton, na Flórida, e São Francisco e Los Angeles, na Califórnia.

"Faço turnês fora do país desde o início da minha carreira. Na maior parte fazemos shows para brasileiros, que são apaixonados pelo samba e têm muita saudade do Brasil", conta. "Mas tenho percebido o aumento da presença de americanos nos shows e nessa minha recente turnê pude ver isso claramente. Acho que o fato de já ter ganho por duas vezes o Grammy Latino tem ajudado a fortalecer meu nome e meu trabalho em países como os Estados Unidos".

E por outro lado, em meio ao sucesso dos sertanejos, o pagode romântico volta a fazer sucesso, por intermédio de carreiras como as de Ferrugem e Dilsinho. Diogo comemora e diz que o samba sempre se renova e retorna às paradas.

"Ele sempre teve diferentes expoentes e vertentes, e isso é muito bom. O importante é que tenha espaço para todo mundo, que a velha guarda continue tendo seu espaço e sendo reverenciada, assim como tenha espaço para a nova geração", diz. "E assim o samba vem atravessando gerações. Em alguns momentos com maior espaço na mídia e em outros lutando para se manter sempre vivo".

MULTIMÍDIA

Diogo tem tido a oportunidade de explorar outras carreiras: voltou a apresentar o 'Samba da Gamboa', na Rede Brasil e na TV Cultura, e faz também o programa de rádio 'Batukada Boa', com uma roda de samba ao vivo, na Rádio Transcontinental, São Paulo. A experiência como ator no musical 'SamBra', ele adorou.

"No início tive um certo receio, mas o elenco me recebeu de forma tão carinhosa, que mergulhei de cabeça. Até hoje as pessoas falam comigo, emocionadas, porque realmente foi algo que mexeu com elas. Não recebi nenhum novo convite para atuar, mas sou uma pessoa aberta a novos desafios e, se for algo que tenha sentido, a gente vai junto", conta.

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