Moacyr Franco pensa nos idosos quando faz show: 'Rádio e TV não se importam com esse público'

Ator prepara projeto "para a internet" contando suas histórias e diz que a turma do stand-up vai a seus shows para ver como é que se faz humor

Por RICARDO SCHOTT| ricardo.schott@odia.com.br

Moacyr Franco leva sucessos e humor ao Teatro Riachuelo, em 6 de novembro
Moacyr Franco leva sucessos e humor ao Teatro Riachuelo, em 6 de novembro -

Rio - São incontáveis os sucessos acumulados por Moacyr Franco em 60 (!) anos de carreira. O de hoje, no Teatro Riachuelo (no projeto 'Música das 7', de shows dados às 19h), vai ter mais de vinte canções incluindo 'Ainda Ontem Chorei de Saudade', 'Doce Amargura', 'Coração Sem Juízo', 'Querida', 'Milagre da Flecha', 'Balada das Mãos' e muitas outras. Ainda assim, o cantor e ator diz não ser nem um pouco difícil montar o repertório dos seus shows.

"É facílimo, até porque sei de cor e salteado o que todo mundo sente e quer. Eu até costumo dizer: 'Olha, pode ir no meu show sossegado, porque não tem novidade nenhuma!'", conta Moacyr, experiente e atento. "As pessoas riem, logo depois vem uma música triste, depois riem de novo... E assim vai seguindo o show".

'Tudo Vira Bosta', composta por ele (e gravada por Rita Lee) na década passada, pode ser considerada uma das mais novas do compositor. Mas nem essa tem rolado muito e ele faz suspense sobre se vai cantá-la hoje.

"Essa aí eu canto raramente, sabia? Tenho muito repertório, muita coisa para lembrar. Mas o principal do meu show é o humor", conta Moacyr, dizendo que vários colegas de stand-up vão ver seus shows para ver como é que ele faz e pegar dicas. Não tem uma receita de bolo, ele conta.

"Eu sou meio palestrante, os assuntos do dia sempre mudam. Conto muitas histórias de colegas meus, porque estive em todas as fases da cultura do Brasil: cinema, rádio, TV em preto e branco", diz, revelando que, além de humoristas, amigos cariocas do meio artístico como Elymar Santos, Luiz Vieira e Luciene Franco estão sempre nas suas plateias.

SAUDADE E IDADE

Moacyr Franco não esquece que é um cara de 82 anos. E é solidário com o público que o acompanha desde o começo de sua carreira, nos anos 1950 e que costuma ir bastante a shows em horários mais acessíveis, como o que vai fazer hoje no Teatro Riachuelo.

"O velho hoje não tem onde se ouvir nem onde se encontrar. Já reparou que nem rádio nem TV dão a menor importância para idoso? Ou o cara vai escutar programa religioso ou vai dormir!", lamenta. "E meu show é bem divertido, eu brinco muito no palco. Todos gostam porque é um tipo de brincadeira bem próprio".

Moacyr comemora as seis décadas de carreira, mas diz que a data caiu no seu colo e que ele nem sequer planejava isso. Mas o artista, pai de dois gêmeos de 16 anos (tem seis filhos ao todo), revela que o fato de estar com mais de 80 anos faz com que tenha certas preocupações.

"Eu não tenho medo da morte, mas tenho medo da saudade. Tenho uma convivência saudável com meus filhos mais novos, e me preocupo com o momento de me despedir deles. Não sei onde vou estar depois que morrer, mas com certeza estarei com saudades", diz Moacyr, que adoraria que existisse "vestibular para pai".

"Se você consegue ser pai antes de ter filho, os problemas da humanidade estão resolvidos. Fui um péssimo pai para os meus mais velhos. Depois é que me tornei um pai maravilhoso", revela.

MEMÓRIAS

Moacyr tem vontade de escrever um livro de memórias. O desejo acabou gerando um projeto que ele nem sabe direito como vai terminar, mas que vai ser "algo para a internet", como conta.

"Nele, vou contar dezenas e mais dezenas de histórias sobre a minha vida, sobre a minha passagem por aqui", relata, lembrando de uma época em que o público era "mais exigente" com a elaboração das músicas.

"Tive um parceiro no Rio, o (jornalista e compositor) David Nasser. Ia na casa dele e era espetacular ver como ele fazia as letras. Fui também visitar o Ary Barroso, e ele fez uma música para eu gravar, que só eu gravei ('Era a Esperança'). Assisti João de Barro (o compositor de marchinhas e sambas também conhecido como Braguinha) fazendo música, Nazareno de Brito escrevendo poesia", revela.

SBT

Moacyr foi demitido do SBT em novembro do ano passado. É ainda amigo do dono do canal, Silvio Santos ("sempre foi meu amigo, aliás, desde 1958"), embora esteja longe da casa. E nada de tristeza por causa disso, até porque de lá para cá, sua vida profissional não parou mais, com direito a vários projetos e novos convites.

O artista faz planos para cinema, vai aparecer na série 'Ilha de Ferro', da Globoplay, recentemente contracenou com Danilo Gentili em 'Como Se Tornar o Pior Alunos da Escola'... "Estou longe de casa desde sexta! Fui fazer show neste fim de semana e fui de carro, 800 km para ir e para voltar. Estou aqui no Rio e depois tem show na Bahia", conta o humorista e cantor. "Estou sempre criando coisas novas para TV, cinema".

Mesmo com tanto tempo de carreira, um dos assuntos que fizeram Moacyr voltar à mídia foi a propaganda que ele fez para o complexo vitamínico Ômega-3, baseada em ligações de telemarketing que acabaram irritando várias pessoas. Até o próprio Moacyr conta que se estressou com os telefonemas (no 'Programa do Porchat', revelou ter recebido 50 ligações com sua voz). Você acha que a história da cultura brasileira fez justiça a você, Moacyr? "Tenho frustrações, mas tudo passa. A gente aprende a conviver com isso, a ser uma pessoa melhor", conta.

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Moacyr Franco leva sucessos e humor ao Teatro Riachuelo, em 6 de novembro Divulgação
Moacyr Franco: sucessos e humor em show em que "as pessoas riem, depois vem uma música triste...", como revela Divulgação

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