Cia. Teatro de Afeto realiza seu quarto espetáculo no Largo das Artes

A ideia é colocar em cena memórias, pertencimento, identidade e afetos de uma mulher palestina que retorna à sua casa da infância

Por BRUNNA CONDINI

Luellem de Castro: dança e atuação no palco -

Rio - A ideia é colocar em cena memórias, pertencimento, identidade e afetos de uma mulher palestina que retorna à sua casa da infância. Tudo isso no espetáculo 'Como Nascem as Oliveiras', produzido pela Companhia Teatro de Afeto, que estreia sábado, às 19h30, no Largo Das Artes, Centro.

Em cena, as atrizes Luellem de Castro, Larissa Porto e Tainá Medina representam a luta feminina. E abordam a espiritualidade e o sagrado feminino, interpretando a mesma personagem em diferentes momentos. "Construímos um só corpo, orientado pela dança contemporânea e com elementos das danças populares brasileiras", revela Luellem, no ar como a Talíssia de 'Malhação - Vidas Brasileiras', na Globo.

"A peça mostra como uma mulher palestina vê a guerra que está acontecendo à sua volta em diferentes fases da sua vida. E faz um contraponto sobre como nós, atrizes em cena, vemos nossas 'guerras' do dia a dia também", esclarece, sobre a montagem com texto inédito de Andressa Hazboun, dirigida por Saulo Rocha.

OLHAR QUE TRANSFORMA

A companhia Teatro de Afeto nasceu em 2015 com o objetivo de pesquisar temas como o feminino, espiritualidade, política e questões sociais. Luellem acredita que estar em cena traz um potencial poder reformador da realidade.

"Acho mesmo que a arte sempre vai ser uma ferramenta de transformação social. E acredito que o que desejo transformar sou eu mesma. Enquanto torço pra que a minha transformação pessoal ajude outras pessoas".

Aos 23 anos, a atriz reconhece o momento especial. Ela vive personagens na TV e no palco, que constroem caminhos para romper padrões, preconceitos e levantam a bandeira da igualdade. A Talíssia, sua personagem em 'Malhação', é mãe adolescente, adepta de uma religião de matriz africana e conviveu com a violência e preconceitos.

"Fico muito grata por tudo que está acontecendo profissionalmente para mim. Tenho seguido um caminho bonito, falado de coisas importantes", diz Luellem, que começou na carreira aos 7 anos.

A atriz salienta a importância das lutas femininas. "Chegamos a um lugar de acesso à informação que não existia antes. Ninguém se mobiliza pelo que não vê. E visibilidade gera visibilidade", analisa.

Ela conta que já sofreu racismo e preconceito, o que combate com informação e o afeto que recebeu em casa, desde cedo. "O que mais me ajuda na vida é minha base familiar, com toda certeza. Cresci ciente do meu espaço no mundo por ter o privilégio de ter uma família consciente", garante.

"Tenho lutado para ter espaço na minha carreira e conseguir me comunicar com cada vez mais pessoas. Tenho muito pra falar, e conheço muita gente que precisa falar também. Se eu puder ser base para o crescimento dos meus, ficarei muito feliz!"

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