Clara Nunes (acima) e a capa da biografia (D)  - Divulgação
Clara Nunes (acima) e a capa da biografia (D) Divulgação
Por RICARDO SCHOTT

Rio - Morta em 1983, Clara Nunes será lembrada pela sua escola de coração, a Portela, no hino de 2019: 'Na Madureira Moderníssima, Hei Sempre de Ouvir Cantar uma Sabiá'. A sambista mineira também ganha outras homenagens neste ano, e a louvação à interprete de 'O Mar Serenou' começa agora, com os seis anos da peça 'Deixa Clarear', em cartaz na Maison de France hoje às 18h30. E com o relançamento da biografia 'Clara Nunes - Guerreira da Utopia', de Vagner Fernandes.

Vagner diz que se trata do momento ideal para lembrar Clara Nunes, pelo pioneirismo dela, não apenas no aspecto musical como no comportamental. "Como intérprete, ela sempre se posicionou contra o preconceito etno-racial, contra a intolerância religiosa. E também contra o preconceito de gênero. Ela foi a primeira mulher a romper o estigma de que intérprete feminina não vendia disco. Ela abriu portas para Alcione e Beth Carvalho", aponta o autor.

Teatro

Por causa da peça 'Deixa Clarear' (com direção de Isaac Bernat, texto de Marcia Zanelatto e direção musical de Alfredo Del Penho), Clara Santhana desenvolveu relação próxima com a Portela. A atriz cantou junto com a Velha Guarda no dia do anúncio do enredo de 2019, e repete a aparição no novo camarote da Portela, durante a festa na Avenida Marquês de Sapucaí. Clara será mestre de cerimônia do espaço e irá cantar com a Velha Guarda e com uma roda de samba.

"A homenagem da Portela a Clara é um marco, é para explodir os corações dos brasileiros", brinca Clara. Ao decidir fazer a peça, mergulhou em entrevistas e em material da cantora. "Reparei na clareza que ela tinha em relação à sua carreira. Foi uma grande estrela, mas não subiu no salto, era uma pessoa simples. Clara foi operária, tinha uma identificação muito grande com seu público, e muito respeito por ele".

'Deixa Clarear' continua no Maison de France na quarta-feira que vem, dá uma paradinha para o Carnaval e volta no dia 20 de março. Além da peça, Clara Santhana faz nesta sexta às 20h no Teatro Glaucio Gil, em Copacabana, o show 'Mantiqueira', ao lado do violonista Leandro Castilho e do percussionista Eber de Freitas. O repertório tem a natureza e a água como temas.

Show

No domingo, a sambista Branka retorna com seu show 'Branka Canta Clara', na Sala Baden Powell, às 19h. O repertório inclui do hit inicial 'Você Passa, Eu Acho Graça' até sambas como 'Conto De Areia'. "A herança que Clara nos deixou é repleta de ensinamentos", afirma.

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