Por BRUNNA CONDINI

Depois do susto, a resistência e a esperança motivada pelo trabalho duro na preservação da memória. De hoje a 29 de abril, o Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro do Rio, apresenta a exposição 'Museu Nacional vive - Arqueologia do Resgate', mostra que expõe ao público peças resgatadas do incêndio que destruiu o prédio principal do Museu Nacional, na Zona Norte da cidade, em setembro do ano passado. "Ver uma pequena parte do museu em uma exposição reforça o que estamos afirmando há cinco meses: o Museu Nacional vive. Vive em todo o seu corpo de pesquisadores, funcionários e alunos que continuam produzindo conhecimento e difusão científica", vibra Luciana Carvalho, da comissão de resgate e cocuradora da mostra. "Produzir uma exposição como esta era fundamental para evidenciar que não foram perdidos todo o acervo científico e dar um retorno à sociedade sobre os trabalhos de resgate que estão sendo realizados".

O projeto resulta de um trabalho coletivo de profissionais de diversos departamentos do museu, e um novo campo foi identificado: a arqueologia do resgate. "O título reflete o trabalho que vem sendo feito na tentativa de recuperar o máximo de acervo científico. Temos observado que além do resgate do material, este gerará uma série de estudos relacionados ao processo do incêndio que nos ajudará a entender o acidente e como se comportam as diferentes peças que sofreram com o fogo", esclarece Luciana.

A exposição ocupa duas salas do segundo andar do CCBB, com cerca de 180 itens, dos quais 103 são peças resgatadas do fogo. O conjunto contempla todas as áreas de pesquisa do museu: Antropologia, Botânica, Entomologia, Geologia e Paleontologia, Invertebrados e Vertebrados. O diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, exalta o trabalho dos servidores da instituição. "Graças a um trabalho intenso e heroico deles é que hoje podemos ver parte do material resgatado, e, felizmente, ainda há muito mais por vir", celebra.

MEMÓRIA PRECIOSA

A destruição causada pelo incêndio jogou luz sobre a importância de medidas de preservação? "Com certeza, jogou luz sobre os problemas relacionados às condições físicas de nossos museus", constata Luciana Carvalho.

"Não sabemos ainda o laudo da Polícia Federal sobre a causa do incêndio, mas com certeza precisamos de mais sensibilidade das autoridades para a preservação da memória histórica e científica do nosso país. Principalmente com instituições como a nossa, que proporcionava a população com menor poder aquisitivo o acesso a informações de alto nível de maneira gratuita ou com valores de entrada extremamente baixos. Esperamos que tudo não tenha sido em vão e que as novas gerações aprendam com este desastre e deem mais valor à cultura e à educação".

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