Marcão do Povo: estilo popular e galo cenográfico no poleiro (acima) - fotos Reprodução
Marcão do Povo: estilo popular e galo cenográfico no poleiro (acima)fotos Reprodução
Por Gabriel Sobreira

Rio - Com 7 anos, ele vendia picolé e engraxava sapatos ao mesmo tempo. Aos 8, catava tomate na roça e foi até os 14 também colhendo feijão, trabalhando em cerâmica e vendendo laranja na rodoviária. Com 15, passou a vender planos de saúde e funerário. Um ano depois, foi para a rádio AM. Tinha 19 quando começou a fazer propaganda em lojas. Aos 20, assumiu um programa de TV e não parou mais. Hoje, com 39 anos, Marcão do Povo dorme por volta da meia-noite e acorda às 4h para apresentar às 8h30 o 'Primeiro Impacto', programa jornalístico do SBT que incomoda a concorrência e tem até fila de anunciantes.

"E Deus foi abençoando. Aos 37, entrei para o SBT e, agora, com 39, tenho contrato renovado. Estou muito feliz", vibra Marcão, que divide o posto de âncora do telejornal com Dudu Camargo, que comanda a atração das 6h às 8h30. "Não sou amigo dele. Amigo é quando um vai na casa do outro, faz churrasco, brinca, toma cachaça. Ele não é meu amigo, é meu companheiro de trabalho. O respeito existe da minha parte com ele, não sei se dele comigo, mas da minha parte existe. E o meu direito começa quando o dele termina, e vice-versa", esclarece Marcão, que, aos risos, desconversa sobre a alcunha de Rei do Merchandising.

"Rapaz, se sou rei, não sei, mas sei que tem me ajudado bastante a comprar o leite dos meninos. E hoje tem uma fila pra fazer merchandising no SBT, de mais de três empresas, diretamente esperando vagas dentro do programa", comemora ele.

BOA AUDIÊNCIA

Motivo para celebrar não falta para Marcão. Um exemplo disso é a boa audiência do jornalístico, que ele apresenta acompanhado de Madruga, o galo cenográfico que fica num poleiro. Só na semana passada (22 a 26 de abril), a média do programa foi de 5,36 pontos, contra 3,75 da Record. Para Marcão, o motivo do sucesso é muito simples. "Falar a verdade para as pessoas sem maquiar, sem mentir, sem ser ator, sem ser nada do que não seja verdade. E o povo tem controle na mão e conhece quando o apresentador está inventando, querendo ser o que não é", defende ele, que no programa imita o canto do galo. 

SALÁRIO

Questionado se teve aumento de salário no ano passado ao renovar o contrato até 2020, o apresentador provoca. "Po*** nenhuma (risos), Silvio Santos é mão de vaca, pão duro. Hoje em dia, não existem mais aqueles altos salários. A tendência daqui pra frente é a seguinte: quem não trouxer retorno, não fizer parceria, vai estar fora da jogada", observa ele, num misto de humor com seriedade. Marcão diz que é a favor de que o profissional não tenha salário, mas que ganhe por produção, por participação. E explica o raciocínio: "Porque com isso o cara vai dar o melhor para que a empresa ganhe mais, e ele também ganha mais. Sempre fui a favor disso. Vim de vendas, eu era vendedor", lembra, com orgulho.

EXIGENTE

Natural de Minaçu (GO), Marcos Paulo Ribeiro de Morais é seu nome de batismo, mas o apelido veio da época em que era político e que construía habitações para populares. "O povo que colocou e falou: 'Você tem que ser Marcão do Povo'. E ficou", conta ele, que é casado há 13 anos e é pai de duas garotas, uma de 8 anos e outra de 15.

"Cobro muito das minhas filhas. Tenho medo do que o futuro pode oferecer e tento prepará-las da melhor maneira possível. Tem hora pra almoçar, jantar, tudo que vai comer tem que agradecer a Deus, tem que pedir/tomar 'a bênção pai, a bênção mãe'. Jamais quero perder os princípios que fui criado. Aqui em casa tem regra pra tudo, é igual quartel", avisa ele, que pega pesado também com a internet das meninas. "Tem muito bandido aliciando criança, ensinando muita maldade e elas não podem ter a mente poluída com essas porcarias. Tem hora certa e sob a vigilância do pai e da mãe", afirma o pai zeloso.

PROCESSOS

Por falar em internet, Marcão tem uma relação intensa com os usuários. Seguido por mais de 362 mil pessoas, ele conta que tem zero tolerância quando algum hater (usuário com discurso de ódio) cruza o seu caminho. "Já processei mais de 100. Eu pago advogado por mês, então ele tem que trabalhar. Ele ganha pra isso. Como é que a pessoa vai pra internet e denigre a sua honra, a sua família na internet achando que vai ficar por isso mesmo? Vai pagar e vai pagar mesmo. Nos tribunais, tanto criminal quanto civilmente. Quero que pague mesmo para parar de denegrir a imagem das pessoas", avisa ele, que é assumidamente vaidoso. Tanto, que atendia a reportagem, por telefone, enquanto fazia drenagem, com uma profissional de massoterapia.

"Me cuido bem. Eu cuido bem do meu cabelo, tento cuidar bem do meu corpo, dos meus dentes, porque a TV está muito exigente. Eu não nasci bonito igual ao Celso Portiolli. Se tivesse nascido bonito igual a ele não precisava fazer nada. Com essa minha 'latinha' judiada, tenho que cuidar", brinca, às gargalhadas.

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