Holandeses do The Jig se apresentam em Rio das Ostras e no Rio

Banda instrumental deu nome ao disco mais recente em homenagem ao Brasil. O DIA conversou por e-mail com o saxofonista tenor do septeto, que mistura um caldeirão sonoro em suas músicas. 'Faremos um show quente', promete

Por THIAGO ANTUNES

Banda holandesa fará shows em Rio das Ostras e no Jardim Botânico
Banda holandesa fará shows em Rio das Ostras e no Jardim Botânico -
Rio - A banda holandesa The Jig, que conta com sete músicos, é conhecida por produzir material instrumental calcado principalmente no funk e no soul, influenciados por mestres dos dois gêneros como James Brown e Bootsy Collins, e ter uma relação muito próxima com o Brasil. O terceiro e mais recente disco do septeto, que agora conta com um vocalista convidado, é uma singela homenagem ao país. 'Proximo Disco', de 2016, vem de uma brincadeira com as apresentações em solo brasileiro, onde o público costuma recebê-los com entusiasmo.
A banda também é conhecida por apresentações enérgicas em festivais na Europa. O DIA conversou por e-mail com Jeroen van Genuchten, saxofonista tenor da banda, sobre carreira, influências e os shows do The Jig no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival 2019 (22 e 23/06) e no Manouche, no Jardim Botânico (29/06). Segundo o músico, as apresentações prometem: "Faremos um show quente", promete van Genuchten.

O DIA: Como a banda foi formada?

Jeroen: A banda foi formada há 10 anos atrás. Tudo começou em um estúdio de ensaio do nosso baixista Arry. O baterista, Niels, também trabalhava por lá. Nós nos juntamos porque conhecíamos uns aos outros de outras bandas (alguns de nós há muito tempo) e queríamos fazer apenas uma coisa: tocar música funk

Quais são as influências, não somente as instrumentais, do The Jig?

Um de nossos heróis é James Brow, o Rei do Soul, e também o Rei do Funk. Outra grande influência é o Prince, que fez discos brilhantes e fez com que os shows ao vivo tivessem outro nível. Bandas instrumentais como o Average White Band e o The Meters também nos inspiram. 
Como é o processo de composição da banda?

Muitas músicas nossas vêm de jams. Às vezes nós começamos com um lick de jazz, às vezes com um baixo funkeado ou um riff de guitarra...e claro, uma virada de bateria pode inspirar o resto da composição. Nós escrevemos as canções coletivamente: todos têm ideias e trabalham juntos as faixas no estúdio. É a mistura de elementos do soul, jazz, afrobeat e, claro, o funk que formam o som único do The Jig.
Vocês têm influências da música brasileira neste processo?

Nós aprendemos bastante sobre a música brasileira por causa das turnês anteriores no Brasil. Em uma delas, conhecemos o (baixista) Artur Maia e fomos influenciados pela música dele. Viajamos juntos do Rio para o Festival Bourbon em Paraty há alguns anos e ele nos contou sobre o tempo em que tocou com Gilberto Gil. Ficamos chocados quando soubemos que ele faleceu e nos sentimos honrados de tocar em Rio das Ostras esse ano, sabendo que o festival será dedicado a ele. Nós também conhecemos os caras do Azymuth quando eles fizeram uma turnê na Holanda e ficamos amigos do pessoal do Afrojazz. Tudo isso deve, de um jeito ou de outro, voltar para nossa música.
O que vocês têm escutado ultimamente?

Nossa banda favorita é o Lettuce, dos Estados Unidos, uma banda instrumental que entende como tocar funk. Lettuce é super coesa, tem músicos fantásticos e está explorando novos meios de tocar música funk o tempo inteiro. Assim como o The Jig, o Lettuce é uma banda de amigos, o que dá para ouvir na alegria que eles sente. Além deles, amamos bandas como Galactic e o Budos Band: escute-as!

Fale sobre o processo de fazer o álbum 'Proximo Disco'.

O título veio de duas turnês que fizemos no Brasil. Eu não falo português, mas tento falar do mesmo jeito entre as músicas nos nossos shows. Na maioria das vezes, o texto era algo como ‘a próxima música é chamada…’ com um sotaque estranho, mas a audiência aplaudia meu esforço. Então, definimos que o nome do álbum seria 'Proximo Disco'. Nesse disco, negando os princípios da banda, nós trabalhamos pela primeira vez com um vocalista: o implacável Mr. Ruben Seyfert, que soa como uma mistura entre Prince e Steven Tyler, do Aerosmith. Ele participa de três músicas (ao vivo, ele participa de mais canções). Ele estará conosco nos shows que faremos no país.

Como serão os shows no festival e no Manouche? Serão diferentes?

Estamos honrados em fechar o palco principal no sábado, em Rio das Ostras, logo depois do Roy Rogers. Antes, nós tocaremos em um dos palcos mais bonitos do mundo, o Tartaruga. Quando estivemos em Rio das Ostras pela primeira vez, assistimos Scott Henderson e Billy Cobham lá. Os dois shows serão em locais abertos. Vamos tocar no Manouche pela primeira vez e faremos um show quente com a ajuda da plateia!
Serviço - The Jig no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival 2019 e Manouche
- Rio das Ostras 
Datas: Sábado, 22/06, a partir das 20h, Palco Costazul Sesc
Domingo, 23/06, a partir das 17h, Palco Tartaruga Sesc
- Manouche
Data: Sábado, 29/06
Ingressos: R$ 80 | R$ 60 (solidário, 1kg de alimento não perecível) | R$ 40 (meia-entrada)
Manouche: Rua Jardim Botânico, 983, Jardim Botâncio
Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia

Comentários