Espetáculo 'Cartas Para Gonzaguinha - O Musical' estreia nesta quarta-feira no Teatro Riachuelo, no Centro do Rio - Wagner Café / Divulgação
Espetáculo 'Cartas Para Gonzaguinha - O Musical' estreia nesta quarta-feira no Teatro Riachuelo, no Centro do RioWagner Café / Divulgação
Por Juliana Pimenta
Rio - Apesar da dificuldade de investimentos, 2019 foi um ano de boa safra nas produções teatrais. Os destaques vão para os musicais impecáveis, que lembraram grandes artistas brasileiros e internacionais, e para as peças críticas com viés político.

O Topo da Montanha: Após quatro anos de sucesso, a peça estrelada por Lázaro Ramos e Taís Araújo voltou ao Rio em 2019 para mais uma temporada de sucesso. Fazendo alusão ao último grande discurso de Martin Luther King Jr., em 1968, nos EUA, o espetáculo fala sobre o encontro do líder político e religioso com Camae, uma misteriosa camareira, um dia antes de seu assassinato.

Cartas Para Gonzaguinha: Em pleno fim da ditadura militar, trabalhadores de uma fábrica se deparam com a pergunta 'O que é a vida?', posta por Gonzaguinha na grande mídia. Esse é o mote do musical, embalado por canções do compositor, que retrata a difícil vida de operários, o abuso de autoridade e as situações humilhantes passadas por mulheres no trabalho. Unidos pelo companheirismo e pela esperança de dias melhores, os personagens lutam contra as injustiças e tentam encontrar o lado bom da vida.

Piaf e Brecht - A Vida em Vermelho: Piaf e Brecht nunca estiveram juntos na vida real. Mas o encontro fictício, em que a cantora é interpretada por Letícia Sabatella, é usado para evocar uma série de temas importantes para o mundo contemporâneo. O musical, embalado por 17 sucessos, é constantemente pausado para análises sociais e comentários pertinentes a cada tema. Para abrilhantar ainda mais o espetáculo, a peça foi encenada no Teatro Prudential, um novo espaço para a arte, inaugurado em maio, na Glória.

Grandes Encontros da MPB: Seis atores de musicais interpretaram as maiores parcerias da música brasileira a partir dos anos 1960. Da Jovem Guarda ao samba, da bossa nova ao rock. Tom e Vinicius, Chico e Edu Lobo, Caetano e Gil, Clube da Esquina, Novos Baianos e até os Tribalistas. No espetáculo, são contadas histórias e curiosidades dessas parcerias que entraram para a história.

Angels in America: Sucesso nos EUA, o espetáculo aterrissou no Brasil pela primeira vez em 2019. A peça se passa na década de 1980, em Nova York, durante a chamada Era Reagan e quando a Aids assolava a cidade como uma espécie de epidemia. No meio do caos, os personagens tentam descobrir como sobreviver, entender e viver a vida da melhor forma.

O Frenético Dancin' Days: O espetáculo recria a história da lendária e inclusiva Frenetic Dancing Days Discotheque, boate idealizada, em 1976. Apesar de ter funcionado por apenas quatro meses, o sucesso e a memória da casa permaneceram no imaginário do brasileiro. No musical, o público pôde relembrar os grandes clássicos da discoteca como 'I love the nightlife', 'You make me feel might real', 'We are Family', 'Y.M.C.A', 'Stayin' alive', além de clássicos das Frenéticas e grandes sucessos nacionais da época, como 'Marrom Glacê'.

Mais Preta do Que Nunca: Nascida no berço MPB tropicalista nos anos 1970 e criada no epicentro da cultura pop rock intelectual dos anos 1980 e 1990, Preta Gil só ganhou evidência nacional após o lançamento do seu primeiro CD. Mas a cantora decidiu, em seu musical, contar os detalhes da sua vida e os bastidores da sua infância e adolescência. Para melhorar, Preta tem o show guiado pelos grandes sucessos que marcaram sua geração.

Freud & Mahler: A peça retrata o encontro histórico entre Freud e Mahler, que havia descoberto uma traição de sua esposa, Alma. É ela própria quem convence o marido a marcar um encontro com Freud, como condição para que os dois continuassem casados. A insegurança de Mahler o leva a marcar e desmarcar o encontro várias vezes e, a partir daí, Freud desenvolve sua hipótese de uma terapia breve.

Através da Íris: Com 90 anos completos no palco, Nathalia Timberg deu vida às ideias arrojadas e ao humor ácido de Iris Apfel. Ícone da moda, hoje aos 97 anos, Iris inspira e surpreende artistas e criadores mundo afora com sua autenticidade e pensamento. Suas ousadas misturas ao se vestir, seus acessórios exuberantes, os óculos gigantes e roupas multicoloridas falam sobre a independência a que todos têm direito. A peça incentiva o público a experimentar — e se experimentar — sem medo do julgamento.

Elis, O Musical: Nessa adaptação, a vida de Elis é representada, em diferentes fases da sua existência, por diferentes atrizes, divididas não só pela cronologia, mas também pelas várias facetas da artista. Além de seus feitos na carreira, a peça aborda seus relacionamentos amorosos, o casamento com Ronaldo Bôscoli e, depois, com César Camargo Mariano. Além de falar de seus amigos e grandes parcerias, como Luís Carlos Miele e Lennie Dale.