Sergiopí - Luan Lopez
SergiopíLuan Lopez
Por O Dia
Rio - O cantor, compositor e produtor Sergiopí faz reflexões sobre tempo, amor, solidão e morte em seu segundo álbum. Em Auradelic, um personagem devorador de Drummond acessa memórias ruidosas dos estágios finais de uma relação, mais tóxica que amorosa, através de 9 canções inéditas carregadas de psicodelia eletrônica.
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Vozes etéreas e camadas de falsetes costuram arranjos repletos de sintetizadores atmosféricos, beats marcantes e guitarras envolventes em Auradelic. Subvertendo modelos clássicos – do neologismo do título à desconstrução da bossa nova na densa “(Neo Indie) da Periferia” –, Sergiopí se apropria das dores desse personagem ao criar superposições instrumentais que se revelam ao longo de cada faixa. Seja ecoando “Paisagem: como se faz” (1973) e “As Sem-Razões do Amor” (1984) de Carlos Drummond de Andrade na utópica “Paisagem Flutuante” e na faixa-título – propositalmente a última do disco – ou sampleando neurônios de Thom Yorke ao incorporar um ‘sambinha Radiohead’ em “Poema Mudo”, o inquieto artista convida o ouvinte a mergulhar pra dentro e se perguntar: quem é você no meu tempo?


Sobre o clipe de “Paisagem Flutuante”:

Filmado em plano sequência – com roteiro assinado pelo artista com o diretor Henrique Alqualo (Caetano Veloso, Emicida) –, o clipe se contrapõe à ideia sonhadora da música, cujo sujeito lírico é o espectador. O elemento paradoxal está exatamente na construção da noiva, interpretada pela atriz Milena Pessoa, que tenta se libertar de seus medos e fantasmas (representado pelo dançarino Jonathan Neguebites, do coletivo Heavy Baile), mas que sempre volta ao ponto de partida. “É como se fossem dois universos paralelos: o utópico e o distópico”, comenta Sergiopí. “Pode-se dizer que o clipe nada mais é do que uma discussão acerca da realidade através de sua subversão lógica e surreal”, finaliza.


Abaixo um trecho do poema de Drummond, Paisagem: como se faz, extraído da obra As Impurezas do Branco, que Sergiopí se apropriou para criar suas paisagens visuais e sonoras.


Paisagem, país / feito de pensamento da paisagem / na criativa distância espacitempo / à margem de gravuras, documentos / quando as coisas existem com violência / mais do que existimos: nos povoam / e nos olham, nos fixam. Contemplados / submissos, delas somos pasto somos a paisagem da paisagem.


O álbum foi integralmente composto e produzido por Sergiopí com os parceiros Hiroshi Mizutani (Lulu Santos) e Bombom (Ed Motta). “Foi muito bom tirá-los da zona de conforto. É um trabalho mais de coletivo, mas na calada da noite sou eu sozinho com meus ‘Eus’ e fantasmas”, finaliza.




TRACKLISTING


Quem É Você no Meu Tempo?

Paisagem Flutuante

Lacan X9

(Neo Indie) da Periferia

Saudade Vazia

Poema Mudo

Não Sei Nadar

Noite Cega

Auradelic