Publicado 02/11/2020 09:00
Rio - O Samba do Trabalhador voltou para ficar. Comandado por Moacyr Luz, um dos eventos mais tradicionais da cultura popular carioca acontece nesta segunda-feira, às 16h30, no Renascença Clube, no Andaraí. Preocupado com as condições de segurança do público, Moacyr Luz destaca as medidas que estão sendo tomadas para o show.
“Modestamente, o Samba do Trabalhador é muito referência no Rio de Janeiro, por isso mesmo a gente precisava dar o exemplo, mostrando que dá para conciliar as duas coisas com muita responsabilidade. Então nós estamos vendendo menos de 50% da capacidade de ingressos, estamos limitando a circulação do público, recomendando o uso de máscaras no intervalo, que já é obrigatório da entrada e ao sair do espaço das mesas, entre outras medidas para evitar a contaminação e também para aprendermos a conviver melhor com o uso dessas práticas”, destaca Moa.
Para o músico, as medidas de segurança refletiram também no formato da roda de samba que, agora, é apresentada de um palco. “É evidente que há uma grande diferença de energia entre você fazer uma roda de samba, onde as pessoas estão em volta de você, como uma ilha cercada por gente de todos os lados, e um palco, no formato de show, com a plateia de frente. A distância é muito maior, mas é uma nova realidade, não dá para ficar comparando”, argumenta.
Alegria do reencontro
Durante o tempo que esteve em casa, Moa produziu canções sobre a pandemia e ainda diz que se relaciona com os fãs na saudade de ir pra rua. “Tem uma música que eu falo ‘Se fosse no Afeganistão, zero de emoção, árido lugar’, eu brinco com essa história que você fazer um isolamento social no Rio de Janeiro, que é uma cidade linda, cercada de motivos para você estar na rua, uma cidade humana de bares, botequins, pessoas em volta da praia, é muito difícil. Então realmente você fazer a volta do Samba do Trabalhador para muitos foi um alento, uma maneira de reencontrar o convívio com a cidade. Eu acho que é nítido e a gente vê no rosto das pessoas a alegria do reencontro”, confessa o artista, que ainda sente falta da volta integral da rotina.
“Eu sinto muita falta do abraço. Numa roda de samba, numa partida de futebol, você estar do lado de alguém que é estranho a você, mas que é unido pela paixão ao clube, pela música, pelo samba, pelo futebol, mas pelo social de poder estar junto e abraçar e respirar sem máscara. O dia que isso puder acontecer de novo com liberdade e responsabilidade, quando tivermos livres dessa doença horrível, a gente vai rir de novo e se abraçar muito”, anseia o músico.
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