Por O Dia
Rio - Transição. Transformação. Thiago Soares está em movimento. E não apenas no palco. Após dançar 18 anos no prestigioso Royal Ballet de Londres, decidiu tornar-se um artista independente, voltar para o Brasil e criar um centro de dança, o Studio TS + Dança, além do projeto ‘Talentos’. Esses novos passos levaram ao espetáculo ‘Trans Point – Art of fusion’, que terá estreia nacional no dia 09 de dezembro, no Rio de Janeiro, no Teatro Riachuelo.


O salto principal de Thiago foi rumo a um maior controle criativo de sua própria carreira. “Entendi que era o momento de assumir todas as etapas da minha história. Pensar no projeto que quero realizar, conceber a proposta artística, criar as coreografias, fazer as minhas escolhas. Como bailarino eu não tinha esse poder de decisão”, explica.

O Studio TS + Dança começou a funcionar no Rio em março de 2020, com aulas para bailarinos profissionais ou não. Dentre os artistas que procuraram a companhia, Thiago selecionou oito para compor o grupo especial do Projeto ‘Talentos’, com o qual desenvolveu o espetáculo ‘Trans Point’, que chega aos palcos pela primeira vez. Thiago assina a concepção, direção geral e coreografia do balé, além de estar em cena. “O ‘Trans Point’ é uma obra plástica, um espetáculo que fala sobre a nossa nova forma de fazer o que a gente já faz, os novos códigos, as diferentes possibilidades e aonde é que juntamos nossas linhas, jornadas e caminhos e, assim, podemos nos ajudar”.

O espetáculo é composto por sete atos: alguns mais curtos, com três, sete minutos de duração; outros mais longos, totalizando uma hora e vinte. O formato em si já aponta para um pensamento original na concepção de um balé, que tradicionalmente costuma ter, no máximo, três ou quatro atos. A intenção de Thiago é trabalhar com códigos diversos e propor uma nova forma de pensar um formato já cristalizado. Ele estará em cena em três atos: um solo, um dueto e um número coletivo. O solo conta com a participação especial do tenor Geilson Santos.

‘Trans Point’ é um mergulho coreográfico nas origens de Thiago Soares. Não à toa, tem como subtítulo ‘The art of fusion’. “É uma análise pessoal e traz todo o acervo de movimento que eu já tive o prazer de dançar até hoje. Elementos de capoeira, do street dance, da dança urbana, do balé clássico e de todos os códigos que eu já acessei”, explica. “Por ser uma análise pessoal coreográfica de movimento, conversa também com esse tempo que tivemos que acessar tudo o que temos, todo mundo que a gente gosta, que é relevante”, complementa.

Para Thiago Soares, ‘Trans Point’ não quer se ater a rótulos - seguindo uma tendência do momento da dança, que busca abrigar diferentes vertentes de expressão. O artista indaga se não seria uma nova forma de ver o clássico. Ele propõe uma reflexão, mas busca suas próprias respostas: “estamos em um lugar mais democrático com relação ao movimento e um mundo mais globalizado, com alta tecnologia e todas essas possibilidades de troca. Concebi um espetáculo de dança com bailarinos profissionais e, sem dúvidas, os elementos básicos da dança clássica, o DNA está ali. Um bailarino que não tivesse os elementos da dança clássica não conseguiria fazer esse trabalho, porém propus vocabulários, palavras e elementos de outras fontes que são bem diferentes do balé clássico. Então, diria que é uma obra de dança contemporânea”.

Gestado em meio à pandemia, ‘Trans Point’ imprime esse instante no qual o mundo se encontra, lidando com o distanciamento físico. Nasceu em ensaios por vídeos e que foram retomados presencialmente com as devidas precauções sanitárias, mas ainda assim marcados por essa fase da impossibilidade do toque, das conversas esparsas, que tem a máscara como elemento essencial no convívio. “Esse momento influencia qualquer trabalho, não apenas na dança, mas de todas as pessoas. Acho que o espetáculo tem uma certa frieza, mas, ao mesmo tempo, é muito robusto emocionalmente e acredito que isso conversa muito com o que estamos passando”, reflete. “Hoje em dia, evitamos nos tocar e estamos de máscara. Temos, a todo tempo, o tabu do distanciamento social, mas, dentro de nós, tudo que a gente mais quer é abraçar alguém, beijar, fazer parte de um coletivo, seja uma festa, uma igreja, todas essas coisas que não podemos mais. ‘Trans point’ é também sobre essa restrição emocional que, de alguma forma, estamos tendo que aprender a lidar”, define.

A estreia nacional é o marco definitivo do novo movimento do artista Thiago Soares. E ela vem justamente no instante no qual o mundo está em busca de respostas. O que fazer? Por que fazer? No caso específico de Thiago, ele se questiona: por que dançar? O que busca dizer? “Hoje eu tenho a responsabilidade, como diretor do meu grupo, de escolher muito bem os temas que quero falar e o motivo de falar deles. Quem acompanha minha carreira sabe que eu sempre fui um artista muito lúdico, me agarrando em sonhos e jornadas surreais, que pudessem tornar-se realidade. Sempre estive sonhando na minha carreira e acho isso muito lindo. Contudo, nesse momento, a gente está num lugar muito orgânico, do coletivo, um verdadeiro choque de realidade. Então, eu senti que isso precisava estar evidente na minha dança e nos meus bailarinos”, conclui.


‘TRANS POINT – The Art of Fusion’

Data: 09/12 (quarta-feira)

Horário: 21h

Local: Teatro Riachuelo - Rua do Passeio, 40, Rio de Janeiro



Preços:

Plateia Vip: R$ 150,00

Plateia: R$ 120,00

Balcão Nobre: R$ 90,00

Balcão: R$ 50,00



Ingressos via Sympla



Link para compra: https://bileto.sympla.com.br/event/66933/d/91306

Duração: 80 minutos



Classificação: Livre