Por rafael.arantes

Rio - Marco Antônio Pereira Guimarães, o conhecido mestre Faiscca. Repleto de baluartes, o Império Serrano é conhecido por revelar grandes sambistas para o mundo do Carnaval e, na bateria, não é diferente. Comandante dos ritmistas em 1994, o músico não faz mais parte da Sinfônica do Samba, mas vê com orgulho alguns nomes que estão despontando no Carnaval, entre eles, o atual líder dos ritmistas imperiais, Gilmar Campos. Aos 47 anos, Faiscca marcou presença na Sapucaí neste ano, no entanto, defendendo as cores da Portela, onde desfilou como diretor ao lado de mestre Nilo, mas os traços da carreira ficam um pouco distante da Passarela do Samba.

Faiscca trabalha com projetos particularesDivulgação

"Hoje eu sou presidente da Liga dos Blocos, tenho um instituto e dou aula para um pessoal do magistrado, além disso, estou preparando um novo bloco, do Quintal do Zeca. Passei por muita coisa boa no Carnaval, consegui prêmios de revelação de bateria, medalhas, conquistas... Mas o que mais me orgulha é ver meus antigos alunos chegando ao sucesso. O Gilmar e o Nilo - mestres de bateria de Império Serrano e Portela, respectivamente -, foram meus alunos, cresceram comigo. Me orgulho muito disso", disse Faiscca, que também se emociona ao falar dos filhos Vitor e Douglas, diretores da Tabajara do Samba.

"Ainda tenho os garotos, que hoje são diretores da bateria da Portela com o Nilo. Sou muito feliz com isso tudo", comentou.

Trajetória no Império e elogios para Atila

Mesmo desfilando como diretor da bateria da Portela em 2013, a grande ligação de Faíscca é mesmo com o Império Serrano. O ex-mestre de bateria começou desfilando na ala das crianças da Verde e Branco, é um dos fundadores da escola mirim Império do Futuro, além de ter uma grande trajetória na Sinfônica do Samba. Ao falar sobre a caminhada na agremiação da Serrinha, o sambista se considera com um grande currículo.

"Tudo que passei no Império foi incrível. No início eu ensaiava na ala das crianças já que o Juizado proibia menores de idade a desfilarem em baterias. Fui diretor da bateria por vários anos seguidos, sendo mestre em 1994. Sou também um dos fundadores do Império do Futuro, a primeira escola de samba mirim. Então, posso falar que escrevi uma bela história ali", analisou Faiscca, antes de citar Atila Gomes como um dos maiores nomes quando o assunto é bateria.

"O Atila é um cara incrível. Ele foi ritmista comigo em 1982, tocava surdo de primeira. É uma pessoa que era um excelente ritmista, passou a ser um ótimo diretor e, consequentemente, um mestre de alta qualidade. Ele conseguiu fazer a bateria do Império ser tão reconhecida justamente porque soube mesclar a criatividade dele com as características da escola. Não podemos falar nada de negativo sobre o trabalho que ele fez", disse.

Faiscca posa com ritmistas do Império SerranoArquivo

Mudanças na rotina atual das baterias

Mestre da Sinfônica em 1994, Faiscca comentou um pouco sobre os trabalhos atuais das baterias das escolas de samba. Segundo o sambista, as dificuldades encontradas no passado, quando os ritmistas chegavam a ensaiar das 14h às 22h, não figuram tanto o cenário atual, onde até a tecnologia é citada como favor de apoio para os trabalhos do mestre.

"Antigamente as baterias não tinham muito apoio, hoje já existe um suporte. Tínhamos que bater de frente com muita gente para conseguir algumas coisas. Agora o samba está mais social e até a tecnologia ajuda muito nisso. Sempre que posso estar conversando com algum mestre, principalmente com o Nilo, peço para que eles sempre busquem manter a tradição de sua bateria. É claro que precisa haver a tão pedida criatividade, mas os desfilantes precisam ter uma boa evolução e é o ritmo que sustenta isso. Antigamente chegávamos a ensaiar até seis horas seguidas. É bem diferente", concluiu.

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