Por thiago.antunes

Rio - Uma nuvem negra paira sobre a Mocidade Independente de Padre Miguel. Em meio a uma crise financeira e política, com o afastamento temporário do presidente Paulo Vianna por determinação da Justiça, a escola é a mais atrasada da Cidade do Samba, com carros alegóricos ainda na ferragem.

Nesta segunda-feira, funcionários responsáveis pela construção das alegorias estavam de braços cruzados no barracão. Eles reclamam dos salários atrasados, que não são pagos há três meses. Desde a quinta-feira, quando o presidente Paulo Vianna foi afastado pela Justiça, a pedido de cinco membros do Conselho Consultivo da escola, que alegaram estar impedidos de frequentar a sede e o barracão da agremiação, o vice-presidente Wandyr Trindade, conhecido ‘Vô Macumba’, assumiu a administração.

Armação do carro Barca%2C em frente ao barracão%2C revela o atraso%3A operários cruzaram os braços ontem Estefan Radovicz / Agência O Dia

Nesta segunda, ele se reuniu com a direção da escola para discutir a questão financeira. Em nota, a diretoria da Mocidade confirma não ter recebido verbas de patrocínio por conta da repercussão criada em torno do presidente. No barracão, o clima entre os funcionários é de revolta e tristeza. “É uma pena ver a Mocidade desse jeito, mas também não dá para trabalhar sem receber”, conta um operário, que não quis se identificar.

De acordo com os funcionários, o carnavalesco Paulo Menezes e o diretor de carnaval Anderson Abreu não aparecem no barracão desde o afastamento de Paulo Vianna. “Não tem ninguém para fiscalizar nosso trabalho. Está tudo abandonado”, relatou um carpinteiro da Verde e Branco. Mesmo diante da crise, a escola fez seu ensaio técnico no Sambódromo domingo. A rainha de bateria Ana Paula Evangelista estava lá e negou ter sido demitida do posto.

Você pode gostar