Por thiago.antunes

Rio - Por trás de toda grande apresentação existe sempre um grande profissional. Um não, dois. Com currículo invejável no meio artístico — de diretor do corpo de baile do Theatro Municipal a coreógrafo de dezenas de desfiles de escolas de samba —, Hélio Bejani assina, neste ano, mais uma comissão de frente no Salgueiro. E com reforço de peso: ao lado de sua esposa e também bailarina Beth Bejani, que é responsável pela coreografia do primeiro casal de mestre-sala e porta bandeira da escola. Unida, a dupla se torna imbatível e promete surpreender na Avenida.

Eles trabalham no Carnaval desde que se casaram, há dez anos. Juntos, desenvolveram uma técnica que vem ganhando adeptos no mundo do samba: a profilaxia do movimento. “Juntamos vários exercícios para conquistar postura, equilíbrio e resistência”, explica Hélio. O primeiro casal do Salgueiro, Sidclei e Marcella Alves, começou a explorar a profilaxia em outubro. “A coreografia vem só depois. Primeiro fazemos as técnicas para que eles conquistem força”, conta Beth.

Juntos há 10 anos%2C Hélio e Beth desenvolveram uma técnica que ganha adeptos no mundo do samba%3A a profilaxia do movimento%2C que garante postura%2C equilíbrio e resistênciaAndré Luiz Mello / Agência O Dia

Entre os exercícios, estão abdominal, pilates e até shiatsu (massagem oriental). O sucesso com a profilaxia é tanto que a Mangueira decidiu importar a técnica. “Temos uma profissional nossa que faz esse trabalho com o primeiro casal de lá também”, completa Beth.

Depois do cargo de diretor do corpo de baile do Municipal, Hélio agora é coordenador da escola de dança do Municipal. Entre os mais de 300 alunos, o profissional se dedica atualmente a preparar uma jovem de 15 anos. “Ela vai competir em Nova Iorque”, conta. Da experiência como bailarino e diretor, Hélio resume seu trabalho em transformar o simples em espetáculo.

“Não trabalho com tecnologia e nem fico inventando um monte de coisas. A minha ferramenta são sempre as pessoas”, afirma o bailarino, que só tem elogios à esposa. “A gente se completa. Tem horas que rola uma discussão, mas hoje estou muito mais calmo”, completa.

Hélio Bejani já se apresentou diversas vezes com a bailarina Ana Botafogo no Theatro MunicipalDivulgação

Na reta final dos ensaios, que ocorrem de três a quatro vezes por semana, Hélio deixa os dançarinos da comissão de frente nas mãos de Beth e de sua outra assistente, Adriana Salomão. “Chega um momento que, de tanto eu olhar a coreografia, quero mudar tudo”, desabafa. A comissão do Salgueiro deste ano virá representando os guardiões da natureza, no enredo que fala sobre sustentabilidade. A inspiração para a coreografia vem de fora. “Trouxemos a dança afro do americano Alvin Ailey”, revela Hélio.

Férias na hora de trabalhar para o desfile

O casal Bejani não se restringe ao Carnaval. Além de coreógrafo, Hélio é músico e engenheiro. O bailarino já até se apresentou como trompestista na Orquestra Filarmônica do Rio. Seus dotes musicais também lhe renderam o cargo de coordenador da orquestra do Municipal. Já Beth divide sua vida no Salgueiro com a gerência comercial da rede de cinemas Kinoplex. “Para dar conta, eu tiro férias da empresa no Carnaval”, declara a bailarina.

Você pode gostar