Desfile das séries B, C e D está sob nova direção

Escolas que se apresentam na Intendente Magalhães serão filiadas à Lierj depois de crise em associação

Por thiago.antunes

Rio - Diante da crise instaurada na Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio (AESCRJ), com atraso no repasse de verbas às agremiações e polêmicas envolvendo a escolha de jurados, escolas das séries B, C e D resolveram se descredenciar do órgão e passaram a fazer parte da Liga das Escolas de Samba do Rio (Lierj), organizadora do Grupo de Acesso, atual série A.

Com a mudança, a Liga poderá organizar pela primeira vez, o Carnaval da Intendente Magalhães, que é palco dos desfiles das três séries há 25 anos. Uma reunião entre a Lierj e a Riotur, ainda nesta semana, vai definir o o rumo do Carnaval em Campinho. “Falta fecharmos um contrato cultural com a Riotur. Provavelmente, a Liga vai fazer o desfile, até por conta da adesão em massa das escolas, mas precisamos acertar como será a organização. Nunca fizemos um evento desses, será um desafio”, declarou Déo Pessoa, presidente da Lierj.

O presidente da Unidos da Ponte%2C Sérgio Aguiar (D)%2C no barracão%3A “Parte artística está paralisada”Márcio Mercante / Agência O Dia

A debandada das agremiações da associação começou há duas semanas, quando a Riotur decidiu não repassar o subsídio do Carnaval de 2015, no valor de R$ 90 mil para cada escola, por não reconhecer o atual presidente, Moisés Fernandes. O impasse estava se arrastando desde o término da folia de 2014, quando as agremiações também ficaram sem receber os 10% restantes da verba referente ao desfile, que deveria ser pago em abril. “As escolas já vinham pedindo mais transparência à associação, pois nunca ficamos tanto tempo sem receber verba”, explicou o presidente da Unidos da Ponte, Sérgio Aguiar, que aguardava o dinheiro em novembro.

“Nunca vi uma crise como essa. Prestamos conta de tudo no último Carnaval e não recebemos o dinheiro até hoje”, criticou Gustavo Farias, presidente da Acadêmicos do Sossego. Com a Liga no comando, a previsão é de que as escolas recebam o subsídio ainda esta semana.

De acordo com Fernandes, que se intitula presidente da AESCERJ, a Riotur não repassou a verba porque há uma briga judicial pela liderança da associação. “O dinheiro está preso por conta da ação na Justiça. O Sandro (Avelar, que assumiu a presidência interina no início de 2014) diz que ele é o representante legal, mas não aparece desde julho para trabalhar”, explicou.

Escolha de júri será feita como a de Grupo de Acesso

Sem subsídio, as escolas das séries B,C e D recorrem à carta de crédito para desenvolver o desfile. Na Unidos da Ponte, a parte artística está paralisada. “O improviso faz parte do Carnaval, mas no ponto a que chegou, fica difícil até improvisar. Está complicado manter a qualidade do evento dessa forma”, confessou o presidente Sérgio Aguiar.

Na Arame de Ricardo, a carta de crédito tem salvado a escola dos atrasos. “Temos credibilidade com alguns fornecedores e é graças a isso que estamos conseguindo trabalhar”, explicou Cesar Gomes, presidente da agremiação.

Outra reclamação frequente das escolas sobre a administração da AESCERJ é a escolha dos jurados. Nos últimos carnavais, o corpo de julgadores era escolhido pela associação, o que gerava desconfiança entre os dirigentes das escolas. “Não há credibilidade no julgamento, pois colocam os jurados que eles querem”, contou Aguiar. Se a Liga assumir a organização, os jurados serão escolhidos pela Riotur, como acontece com o Acesso. “Essa responsabilidade é da Riotur”, afirmou Déo Pessoa.

Desfile mais organizado

A AESCRJ foi fundada em 1952 com propósito de organizar todos os desfiles de Carnaval. Na década de 80, a organização passou por diversas transformações e, desde 2008, é responsável pelas séries B, C, D e E. Na opinião de Marcos Falcon, vice-presidente da Portela e interlocutor das agremiações de Acesso com a Riotur, a transferência para Lierj foi a única saída para o carnaval de 2015.

“A Riotur e a Liga vão colocar ordem. O que está acontecendo com a Associação hoje é um desrespeito com seus fundadores. Esses dirigentes são irresponsáveis e gananciosos e não têm a mínima condição de gerir um Carnaval. Para este ano, o público pode esperar um desfile mais organizado”, declarou Falcon.

Venda para Grupo Especial

Para quem quiser assistir aos desfiles do Grupo Especial, a oportunidade de adquirir um lugar na arquibancada ou cadeira individual na Sapucaí será amanhã. A Liesa vai disponibilizar mais de 40 mil ingressos à venda por telefone, para os dois dias de desfile. O valor da entrada vai de R$ 160 a R$ 320. A reserva deve ser feita amanhã, a partir das 9h, e o pagamento nos dias 13 e 14 de janeiro.
Para efetuar a compra, o interessado deve fornecer o CPF. Os telefones de cada setor estão disponíveis no site da Liesa: www.liesa.globo.com.

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