Com atrasos, Império Serrano luta contra o fantasma do rebaixamento

A uma semana do desfile, escola de Madureira não tem alegorias e fantasias prontas. Enredo é baseado em canção de Gonzaguinha

Por *Luana Dandara

Carnavalesco Paulo Menezes diz que atraso foi devido à crise financeira
Carnavalesco Paulo Menezes diz que atraso foi devido à crise financeira -

Rio - Salva do rebaixamento pela virada de mesa no ano passado, a Império Serrano luta, mais uma vez, para se manter no Grupo Especial. Mas a aposta em uma estética grandiosa e ousada, e na recontratação do carnavalesco Paulo Menezes, de 53 anos, parece ter fugido do esperado: a uma semana do desfile, a agremiação só tem uma das seis alegorias prontas e ainda não terminou a confecção das fantasias.

O motivo do atraso, segundo a direção, foi uma grave crise financeira. Além do corte de verbas por parte da prefeitura, mais de R$ 1 milhão dos cofres da Verde e Branca foram penhorados em dívidas trabalhistas. O clima no barracão, entretanto, não tem nada de desanimador. Funcionando 24 horas por dia, com equipes revezadas, o Império confia que entregará todo seu Carnaval a tempo e fará jus à música de Gonzaguinha e tema do enredo 'O que é o que é'.

"Estou seguro de que vou entregar o projeto idealizado. Lidar com dificuldades não é novidade para mim. A escola vai se identificar com aquilo que vai vestir e o que vai ver", destacou Menezes, que está de volta após 13 anos de afastamento. "Não carrego o peso de 'salvar a escola do rebaixamento'. A minha responsabilidade é tocar a parte plástica. O Império pode explodir na Avenida, vai depender dos componentes", acrescentou.

Vários âmbitos da vida serão abordados pelo carnavalesco na Avenida, como o olhar inocente das crianças, os pensamentos negativos, a ciência e a religião. Assim como o cantor Gonzaguinha, Menezes fez um trabalho de campo, questionando o que era a vida para pessoas de diferentes camadas sociais. "Hoje, a vida pra mim é colocar esse Carnaval na rua", brincou ele. 

Uma alegoria representará a vida como um jogo de xadrez, enquanto o último carro lembrará a esperança do imperiano em voltar a ser protagonista da festa, com uma homenagem a Dona Ivone Lara, ícone da ala de compositores da agremiação, que faleceu em abril do ano passado. "A coroa da escola será um patchwork (artesanato com retalhos) de fotos dela. E atrás virão dois São Jorges, padroeiro da escola", explicou o profissional. "É um desfile esteticamente diferente de tudo que já fiz. Não fui eu que escolhi a maneira de desenvolver o enredo, embarquei na onda do compositor", acrescentou.

Desde janeiro, a escola de Madureira é alvo de comentários das concorrentes e até de quem passa pelo barracão. "Dá pena do Império", desabafou uma visitante, torcedora da Portela. Porém, o diretor de Carnaval, Zé Luiz Escafura, 33 anos, reforçou que nada está definido até a entrada na Sapucaí. "É lá que a magia acontece. E até lá ninguém sabe de nada, quem vai cair, quem vai ganhar. As alegorias são só um dos nove quesitos", ponderou.

Galeria de Fotos

Carnavalesco Paulo Menezes diz que atraso foi devido à crise financeira Alexandre Brum / Agência O Dia
Escola de Madureira contratou 50 profissionais extras nas últimas duas semanas Alexandre Brum / Agencia O Dia
Alegoria do Império Serrano retrará a vida como um jogo de xadrez Alexandre Brum / Agência O Dia

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