Vice-presidente da Mocidade disputará sucessão na Liesa

Em entrevista a O DIA, Rodrigo Pacheco adiantou que vai propor mudança no regulamento para manter 14 escolas na disputa do Grupo Especial

Por GUSTAVO RIBEIRO

Pacheco: em busca de apoio
Pacheco: em busca de apoio -
Rio - Diante da indefinição gerada pela virada de mesa da Imperatriz Leopoldinense e a renúncia do presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Castanheira, o futuro do Carnaval começa a ser desenhado. O vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco, que defendeu a permanência da agremiação de Ramos no Grupo Especial, confirmou nesta quinta-feira que será candidato à presidência da Liga. Ele anunciou a O DIA que, se eleito, vai propor mudança no regulamento para manter 14 agremiações na disputa.
De acordo com o regulamento atual, o Carnaval 2020 deveria ter 13 escolas no Grupo Especial, e o projeto era reduzir para 12 no ano seguinte. "As escolas devem entender que a gente precisa definir tudo antes. Não adianta, depois do desfile, definir coisas que já passaram. A gente precisa repensar o regulamento. São 14 barracões. Por que não um espetáculo com 14 escolas?", questionou.
Pacheco ressaltou que as regras do Carnaval não podem ficar submetidas aos interesses da TV Globo, que, segundo ele, deseja reduzir o número de escolas para enquadrar os desfiles à sua grade de programação. Mas admite que o acordo com o Ministério Público, que previa o rebaixamento de duas agremiações, foi descumprido: "Eu acho que essa busca incessante de chegarmos a 12, e, posteriormente, até dez escolas como já foi comentado, é que acaba gerando um problema."
O dirigente apontou que já conta com o apoio de coirmãs. "Temos hoje um diálogo muito próximo com Salgueiro, Estácio, a Imperatriz, Grande Rio e a própria Mocidade, e vamos buscar apoio com outras agremiações."
O pré-candidato adiantou que pretende manter os direitos de transmissão com a TV Globo. Ele também quer investir em ações de marketing para recuperar a credibilidade da festa e atrair parceiros comerciais, mas admite que as viradas de mesa, desde 2017, causaram instabilidade.
O não rebaixamento da Imperatriz foi definido, por votos de oito escolas contra cinco, em 3 de junho, quando Castanheira pediu para sair. No dia 26, Unidos da Tijuca, União da Ilha e Paraíso do Tuiuti mudaram de lado, subindo para oito o total que pede o rebaixamento. Pacheco acredita que a assembleia convocada para 10 de julho, para discutir uma "desvirada de mesa", corre risco de não ocorrer porque a Imperatriz pediu à Justiça o afastamento de Castanheira e que os atos dele após a renúncia não sejam válidos. Ontem, a Justiça intimou a Liesa responder, em até cinco dias, se a renúncia foi homologada, se há cronograma de transição e quem está exercendo os atos de gestão. O DIA não conseguiu contato com Jorge Castanheira.

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