'É difícil alguma coisa me derrubar', diz Ivete Sangalo

Prestes a gravar DVD que comemora 20 anos de carreira, cantora faz um balanço da trajetória e garante que sua autoestima é muito elevada

Por nara.boechat

Rio - “Se prepare para chorar. Isso eu garanto”, promete Ivete Sangalo para a gravação do DVD de 20 anos de carreira, sábado, na Arena Fonte Nova, em Salvador. A expectativa é que 40 mil pessoas tirem os pés do chão no megashow, em que a baiana investiu pesado. Foram gastos mais de R$ 3 milhões no projeto. São mais de 1.200 metros quadrados de LED espalhados em três telões, 20 câmeras e um helicóptero para fazer a captação das imagens. A direção de vídeo é de Nick Wickham, que já dirigiu Shakira, Madonna e Beyoncé. E, pela primeira vez, Ivete assina como diretora artística. “Sempre dirigi, mas não de uma forma tão veemente quanto agora. Me sinto mais confortável assim”, diz.

Ivete Sangalo completa 20 anos de carreiraDivulgação

Cantar “é a tara” de Ivete, garante ela. Por isso, serão três horas de show, sem intervalo. “Não vou parar para repetir música. O que tiver que refazer vai ser no bis”, avisa.

O repertório tem 43 canções, oito inéditas. Entre os convidados estarão Bell Marques, ex-Chiclete com Banana, Alexandre Carlo, da banda Natiruts, Alexandre Pires e Saulo.

As duas décadas de estrada fizeram a popstar brasileira revirar o baú de lembranças. “Fui educada para ser uma artista. A palavra fama não existia na minha casa, mas sei que sou muito amada. Sinto orgulho de ter conquistado esse carinho do público, que espera de mim até o erro”, frisa.

Em seu quinto DVD, Ivete diz não se arrepender de nada, mas tem noção dos deslizes que cometeu. O figurino exagerado do Madison Square Garden, em Nova York, foi um deles: “Nunca mais entro no palco com aquelas coisas no cabelo. Mas não me arrependo de muita coisa. Somos frutos dessas experiências positivas e negativas. Se não existirem coisas que chatearam, que deram errado, a gente cresce mimado. Se eu achar que minhas ideias sempre vão dar certo, viro inimiga de mim mesma. Vou achar que tenho superpoderes e não pode ser assim. Não me apego ao que deu errado, me apego ao aprendizado.”

As críticas também não tiram seu sono. “Não fico incomodada. Muitas vezes, elas são semelhantes à minha autocrítica. Não me fazem sofrer, porque tenho consciência de que aconteceu e alguém notou também”, explica. Ela atribui tanta segurança à sua educação: “Tenho uma autoestima muito elevada. É difícil alguma coisa me derrubar. As que me derrubaram foram as perdas na minha família. É uma realidade da vida, mas não sei lidar com isso.”

Com 16 álbuns gravados, 12 milhões de cópias vendidas, dois Grammy Latinos, 150 prêmios nacionais e 16 milhões de seguidores no Twitter, Ivete, que faz, em média, dez shows por mês, acredite, gosta de piedade. “Só choro na frente de alguém, porque longe ninguém vai me alisar e dizer: ‘Oh, coitada’. Se tiver vontade de chorar, eu choro, mas poucas vezes sozinha. Com alguém do lado, as lágrimas triplicam”, assume.

Aos 41 anos, ela assegura que a realização pessoal e profissional fala mais alto do que a vaidade. “O tempo vai passando e você se transforma. É claro que toda mulher gosta de estar linda, corpo incrível, cabelo brilhando, mas tem horas que não dá. São outros prazeres em jogo, é uma troca também. Meu corpo mudou muito depois da maternidade (ela é mãe de Marcelo, 4 anos), apareceu celulite por causa de hormônio, mas isso não vem para minha cabeça de jeito nenhum. Viveria tudo de novo. As celulites podem vir e se atracar em mim, porque nada se compara à felicidade de ser mãe.”

Corpo em forma

A um mês da apresentação, Ivete Sangalo intensificou a malhação (ela treina quatro vezes por semana, uma hora por dia) e o marido dela, o nutricionista Daniel Cady, criou uma rotina específica de alimentação. “Estou no pé dela para focar em intervalos mais regulares entre as refeições”, conta Daniel. Ivete tem problema de refluxo e, para não prejudicar a voz, ela cortou o que mais gosta: café com leite. E evita massas. “De manhã, ela come omelete ou banana da terra, queijo branco, tapioca, inhame ou aipim e toma chá de hortelã ou camomila. No intervalo, frutas da estação, castanhas, amêndoas, nozes... No almoço, uma salada com peixe, carne ou frango grelhado, purê de mandioquinha, legumes assados ou arroz integral. À tarde, frutas novamente. No jantar, sopa ou omelete. E na ceia, frutas”, conta o marido. No dia do show, o cardápio é ainda mais selecionado: “Ela já come menos por causa da ansiedade. Nada de carne vermelha nem laticínios, e a gente dobra a hidratação com sucos de frutas e água de coco.”

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