Marcelo Serrado fala sobre o vício de uma vida online

Na peça ‘É o que Temos pra Hoje’, ator admite que não consegue desligar o celular nem na hora de jantar com a mulher ou de estar com ela numa praia paradisíaca

Por daniela.lima

Com humor e ironia%2C Marcelo Serrado lota teatros em seu stand up sobre a obsessão do homem pela internet Divulgação

Rio - Quem nunca... deixou alguém falando sozinho enquanto mexia no celular? Perdeu um momento incrível porque estava buscando o melhor ângulo para fazer uma selfie? Protagonizou discussões homéricas pelo tempo gasto online? Foi pego em flagrante trocando mensagens comprometedoras? Terminou um relacionamento, mas conquistou tantos outros em chats de paquera?

O vício em internet que é, para muitos, um problema, para Marcelo Serrado virou piada no stand up ‘É o que Temos pra Hoje’, em cartaz no Teatro Miguel Falabella, no NorteShopping, com participação do humorista Gigante Léo. Ele, inclusive, faz um mea culpa por não conseguir se livrar do smartphone nem durante a entrevista. Por duas vezes o ator interrompe o papo: uma para atender ao chamado da filha, Catarina, de 9 anos, com a atriz Rafaela Mandelli; e outra para falar com a atual mulher, Roberta Fernandes, mãe dos gêmeos Guilherme e Felipe, de 1 ano.

“Outro dia, um amigo fez um jantar para a mulher dele e não comprou velas porque existe um aplicativo para isso. Essa história foi parar na peça. Dia desses, eu estava no Arpoador para ver o pôr do sol e percebi que ninguém reparou, porque todos estavam postando fotos no Instagram”, conta o ator e autor da comédia. “Hoje, as pessoas não escrevem mais “Eu te amo”: colocam coraçõezinhos e carinhas felizes... É uma nova linguagem. Quando vou jantar com a minha mulher, tento desligar o celular”. E consegue?

“Não, mas deixo no vibracall”, sorri, ao constatar a própria dependência. “Uma vez, fui com ela para uma praia em Maceió e o hotel não tinha internet”. E aí, sobreviveu? “Sobrevivi, tremendo um pouco”, brinca.

A web pode ser uma vilã e ele tem seus truques para não ver sua intimidade virar um escândalo. “Não me exponho. Se eu e minha mulher resolvemos fazer algo (mais ousado), a gente apaga depois. Hoje em dia é muito louco, não dá para confiar. Fico na minha, sou mais low profile”, garante. Mas a internet tem milhões de vantagens, e o ator destaca isso: “Se você quer achar qualquer coisa, basta dar um ‘Google’ e pronto”. Lucro também. O mundo digital virou uma boa fonte de renda, ele assume: “Eu já ganhei dinheiro com o Twitter, fazendo uma ação (propaganda). Sou super a favor. É mais um canal de trabalho.”

Lotando teatros país afora, Serrado admite que o humor anda rendendo um bom cachê: “Minha peça dá grana. O Paulo Gustavo está rico com as dele. Vivo do meu trabalho, não estou aqui só por prazer, preciso disso para me sustentar.”

Crô, o gay hilário da novela ‘Fina Estampa’, abriu espaço para ele explorar sua veia cômica. “Também sou muito grato à Record porque pude fazer personagens lá que eu nunca tinha feito na Globo. Quando pintou o convite para voltar, eu disse: ‘OK, mas tem 30 atores iguais a mim lá’. Aí, o Aguinaldo Silva me ofereceu algo consistente. Tive sorte. O Crô foi abraçado pelo público, foi um fenômeno, as pessoas se sentem próximas de mim, querem me abraçar, me beijar...”.

Só que nem sempre foi assim: “Eu era um ator previsível. Virei mais audacioso, mais interessante ao olhar dos outros devido ao teatro, que me deu alimento para que eu fizesse sucesso na TV. Se fosse há dez anos, eu não teria feito bem. Já fiz alguns fracassos. Fracasso dá caráter, então estou com um caráter f... Eu já estive numa posição não privilegiada, mas trabalhei muito, mato um leão por dia. Sei onde quero chegar.”

Fã de Miguel Falabella, Serrado quer criar mais: “E alcançar o máximo de pessoas possível. Quero ter um programa com texto meu. Estou alcançado isso”, conta. Workaholic, ele não para. Domingo, estreia a terceira temporada do quadro ‘A Mulher da Sua Vida’, no ‘Fantástico’, com Alice Braga. “Dei sorte de ela estar no Brasil. Foi uma honra. É um projeto meu e a Globo é bacana por me dar esse espaço”, reconhece o ator. Ele ainda tem um musical, novas séries, uma novela e três filmes para lançar. “O conselho que eu dou para quem está começando é: desistam. É uma profissão muito maluca. Um dia você está em cima, no outro está embaixo.”

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia