Luisa Arraes condena personagem por não ter denunciado tentativa de estupro

Apesar da fama, atriz de 'Babilônia' diz que ainda consegue andar de metrô

Por tabata.uchoa

'Já desejei que eles (Laís e Rafael) morressem no final. Eu até gosto de um desfecho trágico'%2C diz a atriz Luisa Arraes sobre seu personagemDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Rio - Uma menina romântica, que encontra o seu príncipe encantado e se apaixona perdidamente por ele. Mas sua família é contra o romance e faz de tudo para separar o casal. A história apresentada se aproxima muito da tragédia de ‘Romeu e Julieta’, escrita por William Shakespeare, em 1591. Mas não é desse clássico que estamos falando e, sim, da história de Laís e Rafael, vividos por Luisa Arraes e Chay Suede na novela ‘Babilônia’.

Na reta final da trama, o casal, que caiu nas graças do público, passou por mais uma provação. Por conta de uma armação de Guto (Bruno Gissoni) e Aderbal (Marcos Palmeira), a jovem foi parar no hospital e ficou entre a vida e a morte. “Ainda não sei detalhes sobre a trama, mas eu já desejei que eles morressem no final. Eu até gosto de um desfecho trágico, mas estou muito apegada aos dois”, diz Luisa.

Pé-quente, Luisa tem muitas razões para comemorar. Em seu primeiro papel de destaque na TV, a jovem acredita que a novela já é um divisor de águas em sua carreira. “A Laís está sendo uma personagem muito rica. É meu primeiro papel em uma novela e a história dela e do Rafael teve uma repercussão muito legal. As pessoas torcem pelo casal. Tenho muito orgulho de estar fazendo parte dela”, avalia a atriz.

Marcante na trama, Laís passou por poucas e boas durante sua trajetória na novela. Uma das cenas que deu o que falar foi quando Guto tentou transar com a menina à força dentro do carro, depois de embebedá-la. Com medo da reação da família, a personagem preferiu não denunciar o rapaz.

“Achei muito crítico ela não denunciar. Entendo as razões da personagem, mas se fosse sua amiga na ficção, teria alertado para que ela fizesse diferente”, opina. Outra questão que girou em torno de Laís foi o dilema de casar ou não virgem, por conta da influência da família muito religiosa. Para Luisa, cada um tem que respeitar o seu tempo e neste terreno, sensível por si só, nada deve ser imposto.

“Acho que a idealização de ser o primeiro ou a primeira para alguém pode ser tanto para a mulher quanto para o homem. Não acho que deva ser exclusivo da mulher. Cada um tem a sua história e seus valores. Nada precisa ser imposto. Só sou contra quando alguém acha, por exemplo, que virgindade tem que ser algo exclusivo da mulher. Porque aí vira machismo.”

Cheia de coragem, Laís não mediu esforços para viver sua paixão. A menina chegou a fugir de casa e não teve medo de perder o amor do pai e da avó, que por homofobia — pelo namorado da jovem ter duas mães, Estela (Nathália Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro) — foram contra a relação desde o início. Para Luisa, se apaixonar não é algo difícil. Mas e se ela tivesse que enfrentar Deus e o mundo para seguir com sua história de amor? “Se o sentimento fosse muito grande, eu enfrentaria, sim, mas a minha família nunca iria se opor ao que eu gostasse de verdade.”

Filha do diretor da Globo Guel Arraes e da atriz Virginia Cavendish, Luisa diz que nunca sofreu preconceito ou teve benefícios na TV por ser de uma família de artistas. “Tudo tem o lado bom e ruim. Eu nasci e sempre conheci pessoas que trabalham no meio artístico. Mas é só isso.”

E é com essa mesma firmeza que ela mantém a sua vida pessoal longe dos holofotes. Namorando o também ator George Sauma, no ar no humorístico ‘Zorra Total’, a atriz evita falar do assunto. “Gosto de ser discreta. Não quero que minha vida pessoal seja pública. O ator, quanto mais anônimo, melhor. Não tenho o objetivo de ser uma celebridade. Sou uma atriz, apenas. No domingo, por exemplo, eu peguei o metrô de São Cristóvão para o NorteShopping e foi tranquilo. Eu quero que continue assim.”

E será que Luisa, assim como Laís, é romântica e sonha se casar na igreja, de véu e grinalda? “Sou romântica. Quer dizer, às vezes, sou, às vezes, não. Ser uma coisa o tempo todo enjoa. Mas não tenho o sonho de véu e grinalda”, finaliza.

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