Samba da Feira convida Netinho de Paula e valoriza samba retrô nos fins de semana

Ideia do evento é acabar com as fronteiras entre 'samba' e 'pagode'

Por RICARDO SCHOTT

SAMBA DA FEIRA
SAMBA DA FEIRA -

Rio - Quem toca no Samba da Feira não esquece. Nomes como Belo, Tiee, Jorge Aragão e Netinho de Paula - este último retorna ao evento do Armazém do Engenhão neste sábado - sempre comentam o quanto é legal se apresentar como convidado num evento com entrada franca, em localização bastante popular e à frente de um público bastante diverso, aberto para novidades e para o lado mais retrô do samba.

"É uma troca de energia incrível, é sempre bom voltar no Samba da Feira", afirmou Belo nas redes sociais logo após se apresentar lá. "O nome Samba da Feira já deixa claro que é para todas as raças e tribos. Isso me alegra, pois me identifico muito", alegra-se Netinho, que está de volta à telinha como apresentador, no 'É Da Gente', na RedeTV!, domingo às 14h. E está todas as noites na novela 'A Dona do Pedaço', que recorda um hit de sua ex-banda Negritude Junior, 'Beijo Geladinho'.

Não por acaso, o Samba da Feira tem sido uma boa opção para quem prefere um pagode retrô, com hits dos anos 1980 e 1990 mesclados aos clássicos do batuque. Os convidados do evento (os nomões) chegam sempre no fim do dia (lá pelas 21h ou um pouco mais tarde) e são recepcionados pelo grupo "da casa", o Seligaê, que começa às 17h.

Tudo junto

Por sinal, o nome do evento é Samba da Feira, mas o objetivo é jamais fazer distinção entre "samba" e "pagode". A partir dos anos 1990, quando os artistas ligados a um samba mais romântico e pop passaram a ser definidos como "pagodeiros", os nomes mais tradicionais viraram sambistas de "raiz". Mário Castilho, sócio do Samba da Feira, diz que ali sempre vai ser tudo junto e misturado.

"A gente quer exatamente isso: acabar com o preconceito que existe entre essas separações de 'samba' e 'pagode'. As pessoas começaram a fazer distinção entre uma coisa e outra, e queremos trazer para perto esse público que estava adormecido. E trazer esses artistas para cá, despertar o público para entrar em movimentação novamente", afirma Castilho, que tem 30 anos e cresceu com o repertório dos anos 1990 no ouvido.

"Sempre ouvi Negritude Junior desde que era criança. Receber Netinho aqui é gratificante demais. Temos essa ideologia de misturar os jovens e as pessoas mais velhas, para curtir os clássicos do segmento", afirma.

Sonhos

Mário tem alguns convidados "dos sonhos" para o Samba da Feira. Jorge BenJor é um deles. O outro é Zeca Pagodinho, que ele adoraria poder levar em janeiro. "Temos certeza que se a gente chegar nele e explicar o projeto, ele mesmo vai 'se convidar'", brinca. "Quase todo o repertório do samba nasceu nas ruas, nas rodas, e resgatamos essa essência para cá".

A temporada 2019 do Samba da Feira se encerra em 21 de dezembro. Até lá, nomes como Tiee e Péricles ("temos um projeto ambicioso para trazê-lo em dezembro", revela) serão convidados. Mário comemora não apenas o sucesso do evento, como a mudança que o Samba da Feira deu ao Engenhão.

"Quando chegamos lá, os moradores falavam que a área estava abandonada, parecia uma cracolândia. Fomos agregando valor à região e de repente outros empreendedores estavam lá usando o espaço de forma positiva", recorda.

Samba da Feira convida Netinho de Paula. Armazém do Engenhão. Rua José dos Reis 189, Engenho de Dentro. Amanhã, às 17h (Netinho às 2h). Entrada franca. Livre.

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SAMBA DA FEIRA ACERVO
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alcione ACERVO
SAMBA DA FEIRA ACERVO
O cantor Netinho exalta diversidade musical do 'Samba da Feira' Divulgação
Samba da Feira - Belo e Convidados Divulgação
Samba da Feira - Belo e Convidados Divulgação

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