Por leandro.eiro
Publicado 20/05/2013 23:52 | Atualizado 20/05/2013 23:53

Rio - Neila Ariana Cardoso, Mariana Gibara e Bruna Paixão não se conhecem, mas poderiam trocar figurinhas se quisessem. As três têm em comum a experiência de terem sido criadas apenas pelo pai, ainda na infância. A atriz mirim Klara Castanho, intérprete de Paulinha na novela ‘Amor à Vida’, também vai viver as dificuldades de não ter a figura da mãe para auxiliar em sua criação. Em contrapartida, ela será muito amada pelo pai adotivo, Bruno (Malvino Salvador), e mimada pelos avós paternos, Ordália e Denizard (Eliane Giardini e Fúlvio Stefanini).

Malvino Salvador cria filha sozinha em 'Amor à Vida'Divulgação


Pai de Sofia, de 3 anos, Malvino não passou por essa situação na vida real, mas acredita que criar uma filha sozinho seja uma tarefa difícil. “Tem que ser equilibrado, amoroso, mas tem que impor regras, não pode deixar fazer tudo. Tem que criar a criança para o mundo, não é fácil educar”, acredita. A chegada de Paulinha, na trama, vai mudar a vida de Bruno, que perde a mulher (Gabriela Duarte) e o filho durante o parto. “É a primeira vez que faço um personagem que tem uma tragédia na vida e isso está mexendo muito comigo. Gosto de me inspirar em pessoas reais, que passaram por aquilo e sabem exatamente o que aconteceu. Bruno é um pai protetor. Quando encontrou Paulinha no lixão, achou uma nova razão para viver”, comenta Malvino.

Quando tinha apenas um aninho, a designer Mariana Gibara — hoje com 25 anos — perdeu a mãe. Seu pai, Carlos Roberto Gibara, na época, ficou sem chão. “Ele sofreu muito a perda da minha mãe, acho que nunca superou. Mas, depois de dois anos, ele se casou de novo e minha madrasta ajudou a me criar. Principalmente com os assuntos de menina. Minha avó também foi muito presente, mas ela era muito careta. Minha madrasta era mais moderna”, comenta Mariana. Viver sem o carinho da mãe foi, sem dúvida, um grande sofrimento para ela. “A mãe sempre é mais carinhosa com a filha e eu senti muita falta disso. Ela me faz muita falta até hoje. Meu pai se tornou uma pessoa fechada. Eu queria brincar e, muitas vezes, ele não tinha paciência. Mas entendo que para ele foi bem sofrido também”, avalia a designer.

A estudante Neila Ariana Cardoso, de 26 anos, viveu com a mãe até os 9 anos, mas viu sua vida mudar radicalmente quando ela precisou se mudar definitivamente para a Alemanha e Neila ficou morando com o pai, Waldir Cardoso. “Foi difícil essa separação. Foi um choque para mim. Mas meu pai soube levar e superar. Me criou com muito esforço, conversava muito comigo e fazia de tudo para suprir a falta dela”, conta. “Não ter a imagem da mãe para ajudar quando a gente fica mocinha é complicado. Me lembro que, quando menstruei, meu pai me disse que ele era pai e mãe, e que eu tinha que deixar a vergonha de lado para contar as coisas para ele”.

Acima%2C Neila Ariana Cardoso e o pai%2C Waldir arquivo pessoal


A jornalista Bruna Paixão, de 35, assim como Neila e Mariana, classifica a adolescência como a parte mais crítica. Bruna perdeu a mãe quando tinha 9 anos e sua irmã, Adriana, 7. “Tem momentos em que só mesmo a mãe pode nos ajudar. Me lembro que foi bem constrangedor quando tive que pedir dinheiro para meu pai para comprar anticoncepcional. Sou meio perdida em relação à vaidade feminina, essa coisa de fazer unha, cuidar do cabelo. Na adolescência, eu sofri mais. Meu pai travava muita coisa, era rígido e a mãe tem o papel de amenizar essas questões”, reflete Bruna. Neila concorda: “A hora que mais senti falta da minha mãe foi quando comecei a namorar, eu queria sair e meu pai tentava me prender. Se minha mãe estivesse por perto, serviria para abrir a cabeça dele”, diz.

Fábio Costa, pai de Bruna, bem que tentou, mas não sabe dizer se atuou bem no papel de pai e mãe. “Até hoje não sei dizer se a tarefa foi cumprida. Não fui tão bom como pai e mãe, mas eu tentei. Mãe é insubstituível. Eu tive muita ajuda dos meus pais, que foram morar comigo, na época. Sem eles, não sei o que seria de mim”, lembra.

Bruna, na opinião do pai, teve uma adolescência longa, o que fez com que ele se sentisse, por muitas vezes, impotente. “É complexo administrar filha adolescente, o trabalho e mais tantas outras coisas juntas. Me via perdido quando tinha que orientá-la com os namorados, sexualidade, comportamento, a forma de se vestir e com as confidências dela. É um pacote grande, mas a gente aprende a viver e a dar valor apenas as coisas que valem a pena”.

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