Aracy Balabanian fala sobre Dona Pupu, seu personagem em 'Saramandaia’

A sorridente senhorinha anda para lá e para cá com a cabeça do marido e é mãe do personagem que vira lobisomem

Por daniela.lima

Rio - Aracy Balabanian não imaginava que, no ano em que completa 50 anos de carreira, viveria uma personagem tão especial e diferente. No remake de ‘Saramandaia’, a atriz interpreta Dona Pupu, mãe de Aristóbulo (Gabriel Braga Nunes), que vira lobisomem toda noite de quinta-feira. Na versão original, de 1976, a senhorinha risonha e meio atrapalhada foi vivida por Elza Gomes. Para Aracy, o convite para integrar o elenco da trama atual foi uma grande surpresa. 

Aracy Balabanian fala sobre Dona Pupu%2C seu personagem em 'Saramandaia’Divulgação


“‘Saramandaia’ é um realismo fantástico. Isso é um termo literário que o Dias Gomes levou para a televisão. É a reinvenção do real. A arte suaviza a realidade, faz você suportá-la melhor. Fiquei muito feliz de fazer parte dessa novela. A Pupu tem humor. Diz a lenda que a mulher que coloca sete filhas no mundo, quando engravida pela oitava vez, se for homem, ele vira lobisomem. E esse foi o caso dela. Além disso, do marido dela (Luiz Henrique Nogueira) só sobrou a cabeça, que ela faz questão de guardar e se entender com ela”, diverte-se a atriz.

Ser mãe de um lobisomem não é uma tarefa nada fácil. E Pupu faz o estilo mãezona, daquelas que tratam o filho já crescido como um bebê. “Ela cuida desse filho como se fosse uma criança. Ela até o apelidou de Neném. A Pupu quer que o Aristóbulo seja o mais feliz possível porque ela se sente culpada por ele ter vindo lobisomem, e cuida para que ele não se aborreça com nada”, analisa Aracy. 

Dona Pupu anda com a cabeça do marido (Luiz Henrique Nogueira) pra todo ladoDivulgação


Para viver uma mulher cheia de humor, a atriz não faz muito esforço, já que sempre teve seu lado cômico aflorado. “Eu me divirto muito com as cenas. Acho que as pessoas vão rir e gostar da minha personagem. Dá vontade de colocar a Pupu no colo e cuidar dela. Tadinha, tão sozinha naquela casa, com a cabeça do marido e um filho lobisomem! Todas as mães têm um pouco de loucura e, por isso, elas são tão adoráveis”.

Como se não bastasse brilhar no horário das 23h na Globo, Aracy pode ser vista também no Canal Viva, na reprise de ‘Rainha da Sucata’, como Dona Armênia, e na pele da divertida Cassandra, nos episódios especiais de ‘Sai de Baixo’ que vão ao ar até o dia 2 de julho. “Estou no ar em tudo. Eu sou um sucesso. Não estou deixando pra ninguém. Já, já eu vou entrar em ‘Malhação’ e começar tudo de novo”, diz ela, aos risos. “Já fiz muitos fracassos, mas sucesso como ‘Sai de Baixo’, nunca tive. A gente entrou no palco, depois de 11 anos, como se tivesse saído no dia anterior. Foi muito gostoso reencontrar todas aquelas pessoas, porque é um clima de amor e ódio ali dentro que vale a pena. E não foi diversão, não, foi trabalho mesmo. Eu fiquei até com bolha no pé. Gravamos os quatro episódios em oito sessões, 14 horas por dia”, comenta. 

Cassandra e Caca Antibes%2C no 'Sai de Baixo'Divulgação


Voltar a contracenar com Miguel Falabella em ‘Sai de Baixo’ era um sinal de que viria surpresa por aí. A atriz conta que ficou feliz com os selinhos que deu no ator nos novos episódios. “Protagonizamos o primeiro beijo lésbico da televisão. O Miguel fez o papel da mãe dele, a Caca Antibes, que, finalmente, se declara apaixonada por mim. Foi muito engraçado, mas acho que o seriado não tem chances de voltar. Ele foi um grande sucesso, estourou a boca do balão, mas acho que, agora, cada um tem um novo projeto”, avalia.

E parece que o entrosamento entre os atores era tanto que a ausência de Cláudia Jimenez e Tom Cavalcante nas gravações não estragou o clima de festa do grupo. “A Cláudia Jimenez só fez um ano. É que ela é uma presença muito forte. A Márcia Cabrita fez quatro anos e a Claudia Rodrigues, mais dois anos. Então, quem mais interpretou a empregada foi a Márcia Cabrita. Mas posso dizer que todos nós ficamos muito felizes com o reencontro”.

Estreia de peso

Com um elenco de fazer inveja a qualquer produção, parece injusto apontar um destaque na estreia de ‘Saramandaia’, na segunda-feira. Mas não há como negar que os 250 quilos de Dona Redonda, a divertida personagem de Vera Holtz, estremeceram o primeiro capítulo da novela de Ricardo Linhares. A obesa rendeu boas risadas e a química com Matheus Nachtergaele deu liga.

Os efeitos especiais são de primeira. Não teve quem não se coçasse vendo as formigas saindo do nariz de Zico Rosado (José Mayer). O coração saltando pela boca de Cazuza (Marcos Palmeira) também deu aflição. O que faltou foi mais ritmo e mais cenas de seres ‘imaginativos’.

A estreia de ‘Saramandaia’ marcou 27 pontos de audiência, três a menos do que a de sua antecessora, a nova versão de ‘Gabriela’. 

Flávia Muniz

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