Comédia para concorrer com horário político

Danilo Gentili vive deputado corrupto na série 'Politicamente Incorreto', do FX

Por karilayn.areias

Rio - Se é, muitas vezes, uma piada, o horário eleitoral vai ganhar um concorrente à altura. Apesar de achar difícil competir com o humor involuntário dos políticos, Danilo Gentili entra em cena como o deputado federal Atílio Pereira na série ‘Politicamente Incorreto’, que estreia amanhã, às 20h30, no FX. A ideia do comediante e do canal é tirar audiência da propaganda política, exibida na TV aberta.

Danilo Gentili faz chacota dos políticos e diz que não assiste ao horário eleitoral%3A ‘Medo de vomitar no tapete’Divulgação

“Quero roubar tudo que eu puder dos políticos, pois ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão”, brinca Danilo, que não assiste ao horário eleitoral. “Tenho medo de vomitar no tapete.”

Na trama, em oito episódios semanais, Atílio Pereira é um deputado medíocre que se envolve em um escândalo de corrupção. Em vez de destruir sua carreira, o caso faz com que ele seja considerado o político mais honesto do país. É aí que o presidente do seu partido, Chagas (José Dumont), aproveita para lançá-lo como candidato à Presidência da República.
“Atílio é um cara que fala uma coisa e se contradiz na mesma frase. Parece uma pessoa diferente em cada circunstância, de acordo com o que convém no momento. Acho que, na realidade, ele é inspirado em todos os políticos”, diz Danilo, que acompanhou os bastidores da política em Brasília quando foi repórter do ‘CQC’, na Band.

Criada e estrelada por Danilo Gentili, com direção e produção de Fabrício Bittar, a série é inspirada no show de stand-up homônimo que o comediante fez em 2010 e que depois virou livro e DVD. “A essência do meu show está toda na série: fazer chacota de todo o cenário político e discussões políticas atuais, sem poupar ninguém”, diz.

Para Danilo, que apresenta o talk-show ‘The Noite’, no SBT, ninguém que seja bem-intencionado se envereda pela política. “Geralmente, quem se preocupa com os outros ao seu redor está ocupado demais fazendo algo por eles e não tem tempo para perder com eleições ou política. Só quer ser político mesmo quem tem como objetivo mandar na vida dos outros, e eu quero distância de todas essas pessoas.”

O comediante é contra a proibição de se fazer piada com políticos na TV aberta durante o período eleitoral. “Acho que é o sintoma de como somos abusados constantemente pela classe política. Ela é aquela classe que se vende como a que trará liberdade aos oprimidos, mas é a que mais oprime todas as outras”, detona ele, que não acha graça em candidato algum. “Só tenho nojo mesmo.”

A três semanas das eleições, Danilo diz que só apoiaria um candidato se o plano de governo dele fosse diminuir o seu próprio poder depois de eleito. “Mas esse cara ou essa linha de pensamento não existe no Brasil. Então, não apoio ninguém na eleição, embora me sinta impelido a votar no menos ruim. E menos ruim, para mim, é o que se distancia mais da atual situação, já que acho ela completamente repugnante. Então, meu voto será de oposição.”

Se ele concorda com o voto obrigatório? “De jeito nenhum. E não concordo com 90% das coisas que são obrigatórias por aqui”, decreta.

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