Por tabata.uchoa

Rio - Entre as muitas arbitrariedades cometidas durante a ditadura militar, um crime pouco conhecido assombrou pelo nível de paranoia e violência contra imigrantes e ganhou visibilidade por ser o primeiro escândalo internacional contra os direitos humanos perpetrados pelos governos militares. Hoje, às 20h30, o ‘GloboNews Especial’ exibe a história que ficou conhecida como o Caso dos Nove Chineses. Há 50 anos, eles foram presos e torturados, acusados de envolvimento numa conspiração comunista, nos primeiros dias do Golpe de 1964.

Um dos chineses%2C que foi preso e torturado no Brasil há 50 anos%2C é entrevistado%3A hoje%2C às 20h30%2C na GloboNewsDivulgação

A paranoia militar da época guarda semelhança com o pós 11 de Setembro, quando, depois dos atentados às Torres Gêmeas, as delações e agressões à comunidade árabe aumentaram nos EUA, incluindo civis, policiais e militares. Mesmo vivendo legalmente no país, eles foram acusados de serem agentes de Mao no Brasil, instruídos a disseminar o ideário revolucionário marxista.

O grupo foi condenado a dez anos de prisão por subversão. Depois de mais de um ano detidos e de uma forte reação internacional, acabaram expulsos do país. Até hoje, a China e as vítimas não receberam um pedido oficial de desculpas do Brasil. O dinheiro confiscado também não foi devolvido — um valor que, corrigido, hoje ultrapassaria os R$ 800 mil. Em seu país, os nove viraram heróis e ganharam apelidos como Nove Estrelas ou Nove Corações Vermelhos voltados para a Pátria.

Em 1974, durante o governo de Geisel, Brasil e China selaram relações diplomáticas, mas o incidente foi varrido para debaixo do tapete,em arquivos secretos e que inspiraram o livro ‘O Caso dos Nove Chineses’, dos jornalistas Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Melo. A equipe foi até a China, onde o tema está ainda vivo na memória do país, para entrevistar um dos sobreviventes, e reúne depoimentos de outras testemunhas. Traz ainda cenas de um curta de um diretor que foi vizinho de um dos chineses.

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