Histórias do cárcere em documentário

Com roteiro de Káliman Chiappini, 'Livres' é baseado na experiência de seis ex-presidiários, que tiveram a ideia do filme

Por BRUNNA CONDINI | brunna.condini@odia.com.br

Cena do documentário 'Livres'. Abaixo, a roteirista Káliman Chiappini
Cena do documentário 'Livres'. Abaixo, a roteirista Káliman Chiappini -

Rio - Realizado de forma independente, o documentário 'Livres', roteirizado por Káliman Chiappini e dirigido por Patrick Granja, foi idealizado por seis ex-presidiários e fala sobre o sistema carcerário brasileiro. O filme ganhou o mundo, sendo exibido hoje por salas da Europa, depois de ter passado pelo Festival do Rio.

"Escrevi a partir das histórias dos personagens principais. Assino o roteiro, mas é deles a ideia original. Foi um trabalho em conjunto, assim como toda a obra", conta a roteirista.

A produção também pode ser vista no Net Now, Oi Play e Vivo Play, e na programação do Canal Brasil, e nasceu a partir da ideia dos ex-detentos Gilson da Maia, Ivonildo Alves, Fabio Gomes, Fabio Gregório, Renee e Márcio Souza, que participaram em 2007 do projeto 'Carceragem Cidadã', gerido pelo delegado Orlando Zaccone, pelo músico Marcelo Yuka, com participação do cineasta Silvio Tendler, que levou um cineclube para dentro da carceragem da 52ª DP, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Seis anos depois, quando estavam em liberdade, eles tiveram a ideia.

Káliman salienta a importância histórica e social do tema, e conta que o documentário se divide entre ficção e entrevistas dos próprios egressos e de especialistas da área criminal. Ainda segundo a cineasta de 33 anos, o Brasil tem um dos piores sistemas prisionais do mundo. "Hoje, o país tem mais de 700 mil presos e deve fechar o ano com 841 mil. Enfrentamos uma superlotação de 200% nas penitenciárias federais e estaduais. Mais de 40% da população carcerária está presa sem sequer ter tido um julgamento", esclarece.

"O que deveria ser um espaço para quem comete infrações tem se tornado, cada vez mais, um ambiente de desumanização. O preso, em vez de sair transformado em sua mentalidade quanto ao erro cometido, sai mais revoltado com o sistema, que não ampara", completa a roteirista, que se prepara para lançar 'Surimã, o Rio do Veneno', sobre os impactos sociais e ambientais da invasão das reservas indígenas e rios da Amazônia.

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