Empreendedoras que fazem a diferença

Empresárias falam do desafio de tocar o próprio negócio e contam como lidam com o machismo e o preconceito

Por O Dia

Jaciana Melquiades
Jaciana Melquiades -

Rio - Sete mulheres fortes e que conduzem o seu próprio negócio de forma firme e com muito amor. No mês da Consciência Negra e após o Sebrae revelar em pesquisa que as mulheres negras representam hoje a metade das donas de negócios no Brasil — elas fazem parte do contingente das 9,6 milhões de empreendedores do sexo feminino que estão à frente de um negócio —, o D Mulher apresenta algumas empresárias que movimentam a economia e enfrentam o machismo e o racismo diariamente.

"O Brasil não é favorável aos empreendedores. Sendo uma mulher negra nesse lugar, as dificuldades aumentam consideravelmente. O machismo e o racismo criam entraves e barreiras pra nós diariamente", avalia Jaciana Melquiades, dona da Era Uma Vez o Mundo, primeira loja do Brasil a vender exclusivamente bonecas negras.

Gabriela Azevedo, CEO do projeto Trança Terapia, concorda com Jaciana sobre o impacto que o machismo tem em seu projeto. Mas ela entrega as táticas para driblar o problema. "Ter uma flexibilidade de optar por qual caminho percorrer com sua carreira, organizar sua carga horária, administrar seus próprio dinheiro e ter tempo para investir em conhecimento", ensina ela, que realiza hoje, das 9h às 19h, o 1º Congresso de Trancistas do Brasil, em Campo Grande.

Conhecimento

Publicitária que já trabalhou em grandes corporações como Coca-Cola e Technos, Claudia Joviano decidiu, há 13 anos, abrir o seu próprio negócio, o Studio Unou, e hoje prepara um curso acessível de branding para auxiliar pequenos empreendedores na área de comunicação. "Ter conhecimentos técnicos para cuidar do seu negócio é muito importante. Se preparar, estudar, realmente faz uma grande diferença, mas hoje vivemos em um mundo, onde o conhecimento está acessível em diversas plataformas, e todos nós somos capazes de desenvolver novas habilidades, principalmente se elas garantem a nossa sobrevivência no mercado, o que não é nada fácil".

Além de desenvolvimento de marca, outro ponto importante para todo empreendedor é o planejamento financeiro. E esta é a especialidade de Lorena Coimbra. Engenheira de alimentos, mestranda em ciência e tecnologia, fundadora da empresa FoodTech e com conhecimento em gestão de negócios, a carioca vem conquistando o seu espaço. "Criar, inovar e buscar novos mercados devem ser os três grandes pilares de qualquer empreendedora. Além disso, temos que assumir o protagonismo de nossas empresas. Este século é das mulheres e da população negra. Estamos assumindo posições e criando mercados que há cinco anos não existiam. Somos, sim, uma grande potência consumidora e criadora de conteúdo, produtos e serviços".

Andressa Abreu e Renata Varella, sócias no Clube das Pretas, consultoria especializada em cuidar de cabelos crespos e cacheados sem química, ressalta a importância de legalizar o negócio. "Se manter legal é um dos maiores desafios. Na conjuntura sócio-econômica atual, muitas mulheres negras encontram solução em montar um negócio próprio, empreender, como opção à sobrevivência. Mas algumas optam por um negócio de forma ilegal, por causa da burocracia e altos custos para se registrar uma empresa no nosso país".

Aumentar a renda

Lina Cruz dos Anjos, técnica de enfermagem, apostou no empreendedorismo para complementar a renda. E a iniciativa deu certo! "Desde muito cedo, comecei a trabalhar, mas o salário era pequeno. Quando passei no concurso para técnica de enfermagem, consegui comprar meu carro e, assim, passei a vender roupa. Consegui aumentar a minha renda e já troquei de carro. Agora, o meu foco é a casa própria", explica a profissional, que recebe uma ajuda bastante especial na parte administrativa. "A minha filha, a Aretha Nataly, de 16 anos, cuida dessa parte e também faz algumas entregas pra mim. Ela é uma grande parceira".

E quando o empreendedorismo surge como forma de vencer a depressão? Foi o que aconteceu com Ana Claudia Silva Pereira. Dona da marca Afra, ela se redescobriu através do novo trabalho. "Sou formada em pedagogia e tive um período complicado no sentido emocional. Resolvi voltar a estudar e descobri o afroempreendedorismo. Depois de muita pesquisa, em setembro de 2018, criei a minha marca, onde ofereço tanto linha de vestuário profissional voltado principalmente para professores, como uma linha de papelaria que trabalha a diversidade", conta.

E Ana Claudia acrescenta: "Sempre achei péssimo os meus filhos não acharem um caderno ou uma mochila, por exemplo, que não tivesse qualquer referência aos traços negros deles. Então, resolvi criar. Sempre tive consciência racial sobre a mulher preta que sou e isso me inspirou a querer fazer a diferença no mercado".

 

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