Cyberbullying - Divulgação
CyberbullyingDivulgação
Por O Dia
Rio - De acordo com a última pesquisa da TIC Kids Online Brasil, aproximadamente 89% da população entre 9 a 17 anos usa a internet. Os números, que fazem parte do estudo realizado entre outubro de 2019 e março de 2020, foram levantados antes do início da pandemia, ou seja, provavelmente este percentual, hoje, seja ainda maior, já que as famílias - ou a maioria delas - começaram o isolamento exatamente no mês do término da análise e a internet passou a ser uma espécie de companhia para o público infanto-juvenil. O estudo entrevistou quase 3 mil crianças, adolescentes e seus responsáveis, em todo o território nacional, e teve como referência metodológica a rede europeia EU Kids Online, liderado pela London School of Economics, e o projeto Global Kids Online, coordenado pelo Unicef. Além do perfil do usuário de acordo com diferentes métricas, a pesquisa mostrou dados alarmantes que precisam ser debatidos no que tange ao cyberbullying: 43% das crianças e dos adolescentes de 9 a 17 anos viram alguém ser discriminado na Internet e 7% da população nessa faixa etária reportou ter se sentido discriminado.
Antes de tudo, é preciso entender que o bullying que acontecia antes do surgimento da internet é muito diferente do que acontece hoje. Antes da rede, as agressões intencionais, verbais ou físicas feitas de maneira repetitiva, terminavam quando a criança ou o jovem saia da escola ou do ambiente que sofria tais abusos e ia para casa. Agora, porém, com o cyberbullying, a situação é amplificada e não acaba, perseguindo o indivíduo até no conforto e na segurança do seu lar. “É muito pior. Antigamente, a vítima brincava, se divertia e, assim, "minimizava" o sofrimento causado pelos praticantes do bullying. A agressão e a humilhação eram contidas, já que a vítima era exposta somente ao grupo escolar ou do prédio, por exemplo. Hoje, as coisas são diferentes. Nesse tempo de redes sociais, os momentos das crianças e jovens sendo humilhados são filmados, compartilhados e assistidos milhares de vezes. Assim, não existe mais um período de liberdade ou de paz e a vítima segue agredida continuamente”, explica a psicóloga Rosangela Sampaio. Ela diz, ainda, que os pais devem ficar atentos a alguns sinais, já que, normalmente, as crianças e adolescentes que são vítimas do cyberbullying evitam buscar ajuda dos pais.
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“Por isso, os responsáveis devem ficar antenados a alguns comportamentos que são comuns na maioria das vítimas, como falta de concentração, queda no rendimento escolar, ansiedade e isolamento. Percebendo essas atitudes, os adultos devem conversar e manter um diálogo aberto e franco, inclusive, sobre o uso das redes sociais e os possíveis riscos da internet; e escutar, realmente o que os filhos têm a dizer, sem julgamentos ou lições de comportamento prévios. É importante, ainda, que os responsáveis saibam agir da melhor forma possível para ajudar e não causar mais sofrimento à vítima, ou seja, nada de punição, de usar um tom ainda mais agressivo que a própria situação já está causando. O caminho é o acolhimento e, em alguns casos, buscar ajuda profissional”, complementa.

É preciso lembrar, também, que essas agressões não causam estresse e dor emocional nas vítimas apenas enquanto crianças e adolescentes, gerando grandes prejuízos para a autoestima e a autoimagem desses indivíduos. Os que sofrem esses abusos podem começar a evitar contato social e a ter problemas de saúde física ou mental, como depressão, transtorno de ansiedade generalizada, síndrome do pânico, entre outras. E esses problemas poderão acompanhar essas pessoas na fase adulta. Segundo estudos realizados na Universidade de King’s College de Londres, as consequências do bullying sofrido quando jovens podem se prolongar por toda a vida, desencadeando problemas relacionados à saúde, às relações sociais e, principalmente, com a própria identidade da pessoa. Sequelas e cicatrizes são deixadas para o resto da vida, tanto para quem sofre, quanto para quem pratica. “Quando a criança ou adolescente sofre bullying, se torna um adulto 'alvo fácil' para abuso psicológico, porque lá na infância, na fase em que estava desenvolvendo essa maturidade emocional, sofreu sequelas e cicatrizes que não foram tratadas”, esclarece Rosangela.
O problema, que por si só já merece bastante atenção, pode se tornar ainda maior nesse período de pandemia, já que os pais, muitos trabalhando no formato home office, estão tentando administrar diversas tarefas, inclusive a de dar atenção às crianças que estão com as aulas em formato online, mas muitas vezes não conseguem. “Neste cenário, os pequenos acabam passando mais tempo na internet e isso acende o alerta sobre a segurança deles no universo digital e o perigo do cyberbullying”, pontua a psicopedagoga Nathalia Pontes, coordenadora de Pesquisa & Desenvolvimento Educacional da PlayKids.
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Dicas de proteção
Abaixo, Nathalia Pontes pontua 10 dicas para ajudar os pais e responsáveis a protegerem as crianças e adolescentes dos males da internet:

1 - Não é aconselhável deixar as crianças soltas na imensidão digital. Regule a atividade online de seus filhos;
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2 - Assim como é dito para as crianças não conversarem com estranhos na rua, a mesma orientação vale para a rede. Diga a eles para não falar nem aceitar algo (como fotos ou vídeos) de quem não conhecem;
3 - Espionar, gravar tudo ou bloquear o acesso pode ter o efeito contrário. O melhor caminho é o diálogo, personalizado de acordo com cada faixa etária;
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4 - Mais do que o tempo de tela, o que realmente importa é o conteúdo apresentado às crianças. Prefira conteúdos educativos;
5 - Invista tempo para criar um ambiente acolhedor e seguro, para que os pequenos se sintam à vontade em meio à possíveis riscos;
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6 - Falar sobre os perigos de acreditar em tudo que vê, lê e ouve na internet também é essencial para que não acreditem em tudo que estiver na rede;
7 - Aborde a importância do uso de senhas e o não compartilhamento delas com amigos, família e desconhecidos;
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8 - Explique o valor da expressão “eu aceito” quando clicada em sites. Isso também vale para downloads de aplicativos ou para se inscrever em algum jogo ou rede social;
9 - Riscos da exposição exagerada. Isso também vale para nós, adultos. Sem intenção, acabamos postando fotos, vídeos e até localização de forma excessiva e em perfis abertos.
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10 - Regras morais e formais, como, por exemplo, idade mínima de acesso a aplicativos e redes sociais. Além de apresentação das leis e termos de uso que regulamentam o tema, parece algo complexo para se falar com as crianças. Mas com jeitinho e informações claras, elas vão entender.
Em tempo: Segundo Nathalia, uma pesquisa realizada pelo Google revelou que 40% dos responsáveis dizem temer o contato com estranhos no ambiente online. Entretanto, de acordo com um estudo realizado pela Kaspersky, 52% dos pais não veem necessidade em regular a atividade online de seus filhos. “A discussão sobre o tema é vasta. Mas para garantir proteção, alguns cuidados simples podem evitar muitos riscos, como a utilização de regras e filtros que são disponibilizados em sites e aplicativos ou por meio de plataformas exclusivas que selecionam, a partir de uma curadoria humana, os conteúdos disponíveis. É importante que a família acompanhe o acesso à internet, não deixando os menores soltos na imensidão digital”, conclui a coordenadora da Playkids.