Valéria Valenssa - Felipe Antônio
Valéria ValenssaFelipe Antônio
Por Juliana Pimenta

Rio - Desde que Valéria Valenssa decidiu seguir a carreira de apresentadora, no começo do ano passado, a vontade de dar voz às classes mais oprimidas da sociedade só cresceu. E é nesse clima que surgiu o 'Lugar de Fala', seu novo quadro no 'Balanço Geral', da Record.

"O quadro dá espaço, na televisão, aos negros que carregam uma história em sua pele. E tem sido maravilhoso, porque pela primeira vez estão dando oportunidade para que as pessoas que vivenciam opressões todos os dias possam passar as informações a partir das suas vivências, e não necessariamente a partir de estudos, leituras ou pontos de vista. O lugar de fala não está dentro de um livro, mas no que eu e outras pessoas negras carregamos todos os dias, na violência que sofremos", destaca a apresentadora, que reflete sobre sua experiência com o racismo ao longo dos anos.

"Já tivemos alguns avanços, e avanços são frutos de lutas. Mas creio que precisamos lutar dia após dia, pois ainda temos um longo caminho pela frente. Ser mulher e negra é a nossa essência e não a nossa sentença. Nunca permita que o racismo faça você perder o foco, ou se distrair do seu objetivo", defende Valéria que, pela visibilidade, foi tratada de uma forma diferente.

"A fama me protegeu de muitas coisas, tenho consciência do meu privilégio! Fiquei conhecida nacionalmente com 18 anos, e não existia um lugar do Norte ao Sul do país que eu não fosse reconhecida e recebida com muito carinho. Mas ainda assim, sinto o preconceito presente na minha vida, acho que todos os dias. E tento não me abalar com isso. Se eu estou passando na rua e alguém atravessa a calçada, eu continuo andando com a cabeça erguida, porque o problema não está em mim e sim na pessoa", diz a apresentadora de 48 anos que, em 1989, era a única mulher negra participante do concurso Garota de Ipanema, e hoje mira ainda mais alto na carreira.

"Estou vivendo o meu maior sonho. Por muito tempo, não tive voz e agora tenho a oportunidade de dar lugar de fala para pessoas incríveis. Eu tenho vontade de ter o meu próprio programa, em rede nacional, e continuar construindo um conteúdo relevante".

Nova rotina

Por conta da pandemia, Valéria ficou alguns meses afastada das gravações. Agora, de volta ao ar, ela tenta contribuir com seu público em um momento tão delicado. "Se sentir segura em meio a essa pandemia, infelizmente, não é possível. Mas venho tentando seguir o máximo possível todas as recomendações da OMS. E, além disso, os cuidados na Record estão bem rígidos", revela a eterna musa do Carnaval, eternizada como a Globeleza, das vinhetas da Globo.

E para Valéria, será que ano que vem vai ter festa na avenida? "O mais importante é a segurança das pessoas. E se de alguma forma esse vírus colocar a vida das pessoas em risco, é necessário realmente não ter. O que me deixa muito triste, já que cancelar a festa seria massacrar ainda mais setores que já estão sendo profundamente prejudicados pela pandemia. Por outro lado, a preocupação com a saúde é legítima e deve, sim, existir", diz ela, que lamenta o possível adiamento da festa.

"Vai ser uma tristeza muito grande, porque além da alegria que nos traz, é parte importante da nossa cultura. Mas nesse momento de pandemia e tantas incertezas, o melhor remédio é sempre a precaução", defende.

Respeito e parceria

Depois de passar 17 anos casada com o designer gráfico Hans Donner, Valéria se viu envolvida em uma sequência de boatos sobre a separação. Sobre o ex, a apresentadora é direta. "Em relação ao Hans, eu prefiro não falar muito, porque acaba tudo se tornando bem maior do que é. Mas gosto muito de ressaltar que ele sempre vai ser uma pessoa muito importante para mim. Temos toda uma história, que jamais poderá ser apagada e que nos deu os maiores presentes das nossas vidas, os nossos filhos. Desejo muita sorte e sucesso para ele, sempre!", declara.

 

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