Como manter a chama acesa durante a quarentena

Em transmissão ao vivo, Gardênia Cavalcanti bateu um papo divertido e esclarecedor com a fisioterapeuta pélvica Mônica Lopes e o urologista Francisco Coutinho

Por O Dia

Diálogo, respeito e acompanhamento profissional podem ajudar na hora do sexo
Diálogo, respeito e acompanhamento profissional podem ajudar na hora do sexo -
Em pleno século XXI, sexo ainda é um assunto tabu. Muitas de nós nunca conversamos com os nossos pais sobre as dúvidas da adolescência e elas foram crescendo junto com a gente. Nesta terça-feira (12/05), conversei com a fisioterapeuta pélvica Mônica Lopes e com o urologista Francisco Coutinho e falou sobre educação sexual, menopausa, orgasmo , disfunção erétil, prazer e muito mais. Numa live super descontraída, o casal de especialistas deu dicas práticas para manter a relação quente mesmo durante o confinamento. Confira trechos desse bate-papo:
Quais são as maiores queixas das mulheres com relação à sexualidade?
Mônica Lopes - A nossa vida tem fases e é preciso entender cada uma delas. Na menopausa e no pós-parto, por exemplo, as mulheres podem ter uma alteração hormonal importante. É curioso por que as mulheres costumam conversar sobre sexo quando está tudo bem, mas quando o problema aparece elas se sentem mal, quase como extra terrestres. Cerca de 20% das mulheres sente dor durante a relação sexual e isso tem jeito. Outras apresentam uma ardência que chamamos de vulvodínia e para a qual também existe tratamento.
Falta informação?
Mônica Lopes - Se homens e mulheres tivessem acesso à educação sexual, metade dessas disfunções seriam sanadas. Saberíamos por exemplo que nosso desejo pode ser espontâneo ou resposivo, que é quando há o estímulo da parceria. O desejo sexual tem uma influência hormonal, mas também está totalmente ligado ao psicológico.
A mulher na menopausa tem uma baixa nos hormônios, mas muitas mulheres nesta fase melhoram a atividade sexual porque já não têm a preocupação do trabalho, os filhos estão criados, ou seja, a cabeça está mais liberada. A conversa é muito importante para que as pessoas sejam libertadas e tenham uma vida sexual bacana.
E com os homens? Quais são as maiores queixas?
Francisco Coutinho - A disfunção erétil é uma queixa importante e mais uma vez falta diálogo neste caso também Existe um arsenal terapêutico maravilhosos, desde os comprimidos, onde existe um mito de que o comprimido azul mata e trata-se de uma lenda urbana, esses remédios são extremamente seguros e eficazes, existem tratamentos locais quando existe uma disfunção mais severa, é indolor e funciona bem e temos também as cirurgias próteses penianas. O homem só não namora do jeito que quer se não quiser.
A ejaculação rápida também é facilmente tratada, mas falta o diálogo do homem com o seu médico e com a sua parceria. Quando um homem entra no meu consultório com a sua parceria, metade do tratamento tá feito, porque tem a cumplicidade daquele casal.
Você dizem que falta educação sexual. Em que sentido?
Francisco Coutinho - Quando a gente fala em educação sexual não estamos falando necessariamente de uma disciplina na escola, mas da conversa sobre sexo, falar sobre o funcionamento, as pessoas entenderem como isso acontece. O sexo natural é o sexo para a procriação, proporcionar e receber prazer, é questão de aprendizado. No sexo oral, por exemplo, você pode aprender o que é melhor para o seu parceiro ou parceira, e isso pode ser aprimorado com o tempo. Cada parceria que você encontra na vida tem comportamentos diferentes. Não existe um padrão.
O homem também sofre com a andropausa, certo?
Francisco Coutinho – Na medicina não usamos o termo andropausa porque ele significa momento de pausa e isto não existe. Há, na verdade, um declínio gradual dos níveis de testosterona, o hormônio que nos dá essa vitalidade. Existe uma série de manifestações, como perda da força física, sudorese que o homem também pode apresentar e são decorrentes dessa diminuição da testosterona. Nessa fase há alterações hormonais como acontece com a mulher.
Existe algum remédio para a mulher que está na menopausa ficar mais fogosa?
Mônica Lopes - Muito se investiu em pesquisa e se investe até hoje para achar o viagra feminino. Chegou-se a uma pílula que não deu certo porque causa reações adversas que atingem a cognição. Com o passar do tempo e o envelhecimento do corpo, a musculatura fica mais flácida, a mulher perde a ereção do clitóris, que é muito importante pro prazer. Então, o mais importante para a mulher é trabalhar o assoalho pélvico, a musculatura que é ligada ao prazer, unir a fisioterapia pélvica às sessões de terapia.
No meu Instagram (@monicalopesmuitoprazer) estamos promovendo a Semana da Reeducação Intima, basta acessar o link na bio e diariamente colocamos dicas de exercícios pélvicos. É gratuito.
Qual é a importância do sexo na vida do ser humano?
Mônica Lopes - O sexo é um dos pilares da qualidade de vida, um marcador de saúde e é muito importante que a gente possa falar deste assunto com leveza. Se você está sexualmente bem, provavelmente estará bem emocionalmente porque sexo é uma atividade física moderada.
O bom sexo depende de um corpo saudável e vice-versa. Casais que estão confinados estabeleçam um dia para fazer a contemplação do sexo, em vez de fazer a famosa rapidinha, pra que fazer a rapidinha? Vocês estão em casa. Então contemplem, coloquem as crianças para brincar e fixem regras. Quando as crianças foram pequenas elas não vão entender, quando crescerem vão entender que os pais namoram, quando crescerem mais vão entender que os pais transam. Ainda bem. Transar é melhor do que brigar. É importante que a gente ensine para nossos adolescentes a beleza do sexo por que muitas vezes a gente escuta que sexo é ruim.
O que o homem pode fazer para preservar a saúde peniana?
Francisco Coutinho - Preserve o seu coração. Evite a gordura, evite o stress, faça atividade física. O pênis é um órgão vascular, funciona através das artérias, veias e é usado como marcador de risco cardiovascular. Um indivíduo que tem a performance sexual ruim e dificuldade de ereção, por exemplo, pode ter mais risco de ter um AVC, um derrame, infarto.
E quais os cuidados os parceiros devem ter neste momento de pandemia?
Francisco Coutinho - A Covid-19 é uma doença altamente contagiosa, mas se o casal está sob o mesmo teto e cumprindo a quarentena não tem problema abraças e beijar. Se um ou os dois precisam sair pra trabalhar, tem que haver uma conversa por que a Covid-19 tem um risco enorme de contaminação.
Para os solteiros, a orientação é evitar o contato físico e lanças mão da tecnologia, que pode ser uma ligação com masturbação, uma videoconferência, para envio de nudes é preciso ter muito cuidado para evitar possíveis vazamentos da imagem.

Qual é a porcentagem das mulheres que têm squirt?
Mônica Lopes - O squirt é a ejaculação feminina e virou uma espécie de moda. É impossível que a mulher tenha a ejaculação como acontece com o homem, em forma de jatos, porque não temos a glândula de emissão. Na literatura existem alguns autores que dizem ser possível a mulher ejacular, mas é um fenômeno raro. É preciso que haja mais pesquisa na questão da sexualidade feminina.
O tal Ponto G existe mesmo?
Sim. Foi feita uma pesquisa mais recente que indica o Ponto G no início da vagina, próximo da uretra.
A partir de quantos anos é importante ir ao urologista?
Francisco Coutinho - É importante que o homem vá ao urologista desde a mais tenra idade. Na infância, o pediatra faz esse papel, mas na adolescência é muito importante que haja esse acompanhamento pelo urologista. É esse especialista que vai acompanhar o crescimento testicular, peniano, o desenvolvimento de pelos,. Na obesidade se embute o pênis e os meninos ficam com essa preocupação, que faz parte do imaginário coletivo. Dificilmente se encontra um indivíduo realente com o pênis pequeno.
Tamanho não é documento, certo?
Francisco Coutinho - Com certeza não, isso já está mais do que definido. Mas os extremos tendem a ser ruins, os muito grandes e muito pequenos podem ser problemáticos. O fato é que a maioria, posso dizer que 99% dos homens que já me procuraram no consultório com a reclamação de que o pênis é pequeno, não sofriam desse problema, mas acreditavam que sim. Mais uma vez trata-se de falta de orientação e educação sexual.

Diante de tudo isso que foi dito e explicado por vocês, a pergunta final é: Qual é a fórmula para que os casais consigam manter a chama acesa durante a pandemia?
Francisco Coutinho - O diálogo, o respeito o cuidado de si e do outro, não ter a segurança que a pessoa que está com você é eterna. Estar sempre reconquistando a sua parceria, que ela tenha admiração por você Entender que sexo bom e de qualidade precisa de aprendizado e para isso é preciso deixar tabus e preconceitos de lado e estar aberto a coisas novas.
Mônica Lopes- Concordo com tudo isso que ele falou e acrescento que a musculatura do assoalho pélvico precisa ser trabalhada, 30% das mulheres não têm noção da sua musculatura, perdem a possibilidade de ter mais prazer. Além disso, nunca desista de você, se tiver dor na relação, tem jeito, procure a ajuda de um fisioterapeuta, se concentre na sua parceria, se conecte, olhe nos olhos. Olhar nos olhos é transar duas vezes, perceba que tipo de sensação é gostosa. O sexo e o orgasmo são cerebrais, se você não estiver conectado não vai acontecer.

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