Neto de dona Helena, Marcos Vinicius, ao lado da mãe, Ana Paula, no cemitério do Corte Oito - Rafael Silva
Neto de dona Helena, Marcos Vinicius, ao lado da mãe, Ana Paula, no cemitério do Corte OitoRafael Silva
Por O Dia
Duque de Caxias - Uma dor que parece não ter fim. Parentes da aposentada Helena Moreira de Jesus, de 84 anos, estão vivendo um pesadelo para poder enterra-la. Dona Helena morreu na noite desta terça-feira, 12, com suspeita da Covid-19, no CER Leblon, na Zona Sul do Rio. A família, que afirma ser dona de dois jazigos perpétuos no Cemitério Nossa Senhora do Belém, o cemitério do Corte Oito, em Caxias, pretendia realizar o sepultamento na manhã desta quarta-feira, 13, mas se deparou com o “sumiço” dos jazigos.

“Nós chegamos aqui e encontramos uma outra numeração nos nossos jazigos. Os nossos mesmos não estavam lá. Pessoas que trabalhavam aqui falaram com a gente que era bem provável que tivessem outros corpos, outras famílias, sendo enterradas no lugar. No momento de muita dor para a nossa família, de desespero, a gente ainda precisa enfrentar isso”, contou o estudante de Direito e neto de Helena, Marcos Vinicius Silva, de 31 anos.

A administração do cemitério do Corte Oito era da AG-R Eye Obelisco Serviços Funerário. A partir desta quarta-feira, 13, a Prefeitura de Duque de Caxias passou a ser responsável pelo gerenciamento do cemitério Nossa Senhora das Graças (Tanque do Anil) e do cemitério do Corte Oito. A medida foi aprovada pela Câmara de Vereadores do município, por meio da lei complementar 09, do dia 8 de maio.

Diante do ocorrido, a prefeitura pediu aos parentes de Dona Helena para localizar as escrituras dos jazigos da família, já que o sistema com todas as informações de sepulturas do cemitério do Corte Oito não foi deixado pela antiga administração.

“Solicitamos a empresa que estava aqui administrando que nos fornecesse o mapa com sepulturas, documentação, mas nada nos foi passado. Estamos aqui fazendo esse mapeamento”, disse Leandro Guimarães, secretário de Urbanismo e Habitação.

A AG-R Eye Obelisco Serviços Funerário detinha até então a exclusividade da prestação de serviços cemiteriais e administração dos cemitérios públicos de Duque de Caxias. O contrato com a funerária foi assinado na gestão do ex-prefeito Zito, em novembro de 2011. Desde então, os munícipes reclamam da péssima qualidade do serviço oferecido e dos preços abusivos cobrados. No ano de 2017, já na atual gestão do prefeito Washington Reis, os cemitérios foram interditados por descumprir uma série de determinações do município, como realizar 120 enterros gratuitos por mês, conforme TAC assinado entre a cidade, a funerária e o Ministério Público. Além disso, há irregularidades encontradas em leis ambientais, notificações da Vigilância Sanitária, bem como de sonegação de impostos.

Concessionária responde

Por meio de nota, a AG-R informou que a encampação dos dois cemitérios está sendo feita de forma “arbitrária e ilegal”. O texto diz ainda que a intenção da Prefeitura de Caxias é “manchar a imagem e trazer prejuízos” para a empresa.